O líder parlamentar do Bloco de Esquerda (BE), Pedro Filipe Soares, disse esta quarta-feira que o Fundo Monetário Internacional (FMI) «tirou o tapete» ao Governo sobre a «narrativa» de um eventual desagravamento fiscal em 2015.



«Para o FMI a austeridade é uma pescadinha de rabo na boca. Está sempre mais ao virar da esquina», advertiu Pedro Filipe Soares em declarações aos jornalistas no Parlamento, no dia em que o FMI divulgou o relatório da 10ª avaliação do programa de assistência financeira a Portugal



«O Governo, na prática, quando nos diz que irá porventura baixar o IRS é apenas e só para disputar votos nas futuras eleições, porque diz ao FMI que terá mais austeridade já em 2015, mais 1,2% do PIB, uma brutalidade, e de cortes permanentes e não pontuais», declarou também o líder parlamentar do BE.



De acordo com a Lusa, Pedro Filipe Soares diz que o Governo está já em «campanha eleitoral» para as europeias, e «está a esconder» dos portugueses o que fala com o FMI no que respeita a novos cortes e austeridade.



«Do lado do Governo o que temos assistido é a uma campanha eleitoral: é a pré-campanha das europeias, uma tentativa de minorar estragos, e em todos estes episódios vem ao de cima o verdadeiro teor da política do Governo, é uma máscara de propaganda para esconder a dureza da austeridade que aumentará ainda em 2015», sublinhou.



No relatório sobre a décima avaliação ao Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF), divulgado esta quarta-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirma que, para alcançar um défice de 2,5% em 2015, Portugal vai ter de «identificar medidas adicionais permanentes de cerca de 1,2%» do Produto Interno Bruto (PIB).



«Para alcançar estes objetivos, as autoridades estão a avançar medidas específicas para racionalizar a administração pública, incluindo através de uma revisão da remuneração do setor público e das carreiras para introduzir uma tabela única e escalas de suplementos», lê-se no relatório.