O presidente centrista e vice-primeiro-ministro pediu, esta segunda-feira, ao eleitorado tradicional do PSD e CDS que não fique em casa e apelou ao voto do centro-esquerda, defendendo que o PS não dá garantias de ter aprendido com os «próprios erros».

Numa iniciativa de campanha da coligação Aliança Portugal (PSD/CDS-PP) em Lamego, Paulo Portas quis «alertar os portugueses para a importância maior do que se pensa» que têm estas eleições, num discurso de mobilização para o voto e de enaltecimento do momento de recuperação em que situa o país.

«Estamos finalmente em condições de poder falar aos funcionários públicos para recuperar progressivamente os seus rendimentos, aos reformados para recuperar substancialmente a sua pensão, fazer o debate do salário mínimo nacional e da política de rendimentos», afirmou Portas, no Teatro Ribeiro Conceição, na primeira noite do período oficial de campanha.

Portas dirigiu-se «aos portugueses que tradicionalmente votam no PSD e no CDS» que «sabem» que a maioria recebeu «um país sob hipoteca, um estado à beira da falência» e governou durante «três anos duríssimos, dificílimos».

«A pergunta e o apelo que eu faço aos eleitores tradicionais do PSD e do CDS é muito simples: Não deixem o país voltar atrás porque agora finalmente as contas estão em ordem e temos a oportunidade de construir um futuro melhor», disse.

O presidente dos centristas dirigiu-se também «àqueles que na zona tradicional do PSD ou na zona tradicional do CDS ainda não sabem se no próximo dia 25 vão votar ou ficam em casa», para lhes pedir, «com humildade, que não fiquem em casa».

«Eu percebo, todos nós percebemos, as dúvidas, as desilusões, as incompreensões, mas há um valor que nos une a todos, que é o bem comum de todos, que é Portugal. Se a nossa gente ficar em casa, serão recompensados aqueles que criaram o problema e trouxeram a troika e será penalizado quem teve o doloroso e muito difícil encargo de procurar a solução e mandar a troika de volta para os seus países, o PSD e o CDS», argumentou.

Paulo Portas falou ainda para aqueles «que estão entre a zona política onde se encontra o PSD e o CDS e a zona política onde se encontra o PS».

«Há muito mais gente que tem dúvidas e procura respostas do que alguns pensam, e não pensem que são apenas pessoas que tradicionalmente estão no centro-direita que têm alguma dúvida, são também pessoas que estão tradicionalmente no centro-esquerda que não têm garantia nenhuma que o PS tenha aprendido com os seus próprios erros», disse.

Falando para esses eleitores, Portas perguntou: «Quando o PS vos aparece, alguma vez o ouviram dizer 'nós pensámos a sério naqueles seis anos, nós reconhecemos que cometemos erros, nós aprendemos a lição e para futuro não repetiremos'.»

«Nunca ouviram o PS fazer uma análise crítica do que nos conduziu ao resgate, à dívida, à troika, à austeridade e ao sofrimento. Pergunto, se eles não fazem uma revisão do passado que garantias vos dão para o futuro?», questionou.

O vice-primeiro-ministro referiu-se a medidas anunciadas como a diminuição da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) para argumentar que o país vive uma «primeira recuperação» e interrogou: «Vamos agarrá-la ou desperdiça-la?»

Portas insistiu que os últimos três anos não podem ser avaliados como um período «de normalidade», mas sim como «três anos de exceção», um regime de excecionalidade que deve o seu fim ao «esforço notável dos portugueses».

Considerando que «é possível falar de esperança com realismo», Portas reconheceu que Paulo Rangel e Nuno Melo disputam as eleições europeias em condições difíceis e pediu-lhes que lutem «com a cabeça bem levantada».