O PS considerou esta quinta-feira positiva a «ténue» redução da taxa do desemprego e o aumento da população empregada, mas salientou que o país apresenta sinais preocupantes e está muito longe do milagre económico.Mas o PSD saúda empresas e cidadãos pelo «grande resultado» no emprego.

Rui Paulo Figueiredo, coordenador da bancada socialista para as questões da economia, falava aos jornalistas, depois de o Instituto Nacional de Estatística (INE) ter indicado que a taxa de desemprego em Portugal foi de 15,6 por cento no terceiro trimestre, 0,8 pontos percentuais abaixo do trimestre anterior e menos 0,2 pontos que no mesmo período de 2012.

«Consideramos positivo a redução da taxa [de desemprego] e o aumento da população empregada. O PS tem contribuído com propostas para melhorar a economia», começou por referir o deputado do PS.

No entanto, de acordo com Rui Paulo Figueiredo, a economia portuguesa regista ainda «muitos sinais preocupantes».

«Se atentarmos à variação homóloga, temos uma diminuição da população empregada em mais de 100 mil. Ao mesmo tempo, na faixa etária dos jovens, cerca de 110 portugueses emigraram, não contando para estas estatísticas», apontou o presidente da concelhia de Lisboa do PS que a Lusa cita.

De acordo com Rui Paulo Figueiredo, o Governo «tem de fazer muito mais» e Portugal «está longe do tal milagre económico» [referido recentemente pelo ministro da Economia, Pires de Lima].

Pelo PSD, Hugo Soares saudou as empresas e os cidadãos portugueses pelo «grande resultado» no crescimento do emprego e na diminuição do desemprego, após serem conhecidos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

«Queria, em nome do grupo parlamentar, saudar em primeira linha as empresas e os cidadãos portugueses que conseguem um grande resultado nos dados que hoje são conhecidos relativamente ao crescimento do emprego e diminuição do desemprego», afirmou o parlamentar social democrata, nos Passos Perdidos do Parlamento.

O líder da Juventude Social Democrata destacou «um crescimento líquido da criação emprego», já que «mais de 48 mil portugueses encontraram um posto de trabalho».

«A segunda nota é relativa à descida do desemprego, em termos homólogos e em cadeia, em termos relativos ao último trimestre. Estamos, portanto, com os primeiros sinais de recuperação. Continuam a ser ténues, mas já persistentes, com alguma coerência e até alguma consistência», continuou.

Para Hugo Soares é «absolutamente inacreditável que qualquer partido da oposição, mas designadamente o PS continue a ter um discurso que é quase antipatriota».

O deputado do CDS-PP, Artur Rego, sustentou que o desemprego está a baixar por fatores internos e que isso constitui mais um início de que Portugal está a sair da recessão económica.

O deputado do CDS-PP contestou que a emigração esteja na origem da descida do desemprego.

Por seu turno, o PCP, através de Rita Rato, considerou esta quinta-feira que a redução da taxa de desemprego é um «embuste», devendo-se essencialmente à diminuição da população residente em Portugal, ao aumento da emigração e não a qualquer retoma da economia portuguesa.

«Comparando também a taxa de desemprego, ou seja, as pessoas que estão a trabalhar, verificamos que, face a 2012, também há menos 100 mil pessoas a trabalhar», afirmou Mariana Aiveca no Parlamento.

O BE disse que a descida do desemprego tem de ser lida à luz da «taxa de emigração, que galopa, naturalmente», sublinhando que há «cerca de 10 mil pessoas que abandonam o país, por mês».

Segundo os resultados do Inquérito ao Emprego do INE, entre julho e setembro, a população desempregada foi de 838,6 mil pessoas, o que representa uma diminuição homóloga de 3,7% e uma diminuição trimestral de 5,3% (menos 32,3 mil e menos 47,4 mil pessoas, respetivamente).