O candidato às primárias socialistas António Costa pediu, esta quinta-feira, «uma vitória clara e inequívoca» no próximo domingo para evitar «novas manobras estatutárias», advertindo que os últimos quatro meses já foram para si «uma grande lição».

António Costa deixou este aviso após ter feito um longo discurso na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, onde se sentaram na primeira fila o ex-Presidente da República Mário Soares, o ex-candidato presidencial Manuel Alegre, o presidente honorário do PS, Almeida Santos, o ex-secretário-geral socialista Ferro Rodrigues e o antigo ministro Vera Jardim.

«Os portugueses querem uma alternativa e olham para o PS com ansiedade, esperando que os militantes e simpatizantes digam de forma clara e inequívoca quem está em melhores condições para ser o próximo primeiro-ministro de Portugal e liderar um processo de mudança», disse, citado pela Lusa, antes de se referir em estilo de balanço aos últimos meses de crise interna no PS.

«Estes quase quatro meses foram uma grande lição e hoje há uma coisa que quero dizer com toda a clareza: o resultado do próximo domingo tem de corresponder mesmo àquilo que é a vontade autêntica dos portugueses e das portuguesas, tem de ser uma voz audível e inequívoca para que não surjam novos obstáculos, novos pretextos, novos adiamentos, novas manobras estatutárias para impedir a mudança que começa agora no PS e que tem de ser feita no conjunto do país», afirmou, levantando a plateia da Aula Magna.

Costa acusa direção de Seguro de tentar fazer oposição à História do partido

Ao encerrar o comício da Reitoria da Aula Magna de Lisboa, António Costa saudou os deputados do PS que recorreram ao Tribunal Constitucional contra o Orçamento de 2012, acusando a direção de ter então feito oposição à própria história do partido.

«Quero aproveitar para agradecer publicamente a todos os nossos camaradas deputados, em particular a Alberto Costa, que os liderou nessa altura tão difícil, por resgatar a honra do PS, opondo-se ao Orçamento do Estado para 2012 e recorrendo ao Tribunal Constitucional em nome da defesa da Constituição», declarou o presidente da Câmara de Lisboa.

Depois, António Costa reiterou a tese de que a crise na bancada socialista do início de 2012, quando a direção de António José Seguro se opôs que um grupo de deputados socialistas recorresse ao Tribunal Constitucional contra os cortes nos subsídios de férias e de natal dos trabalhadores do setor público, foi, na sua opinião, o momento capital negativo.

«Esse foi de facto o momento capital por duas razões: primeiro, porque o PS, ao recorrer ao Tribunal Constitucional, se distinguiu da governação de direita; mas foi também o momento capital por outra razão que eu (provavelmente porque sou ingénuo) só agora percebi. A razão pela qual houve a leitura de procurar dizer, fazendo coro com o Governo, que aquele Orçamento de 2012 era consequência do memorando da troika - apesar de o memorando nada disso prever - era simplesmente uma forma de dizer que o passado do PS pertencia à oposição e que íamos também fazer oposição à nossa própria História. Foi isso que pretenderam fazer naquele momento», sustentou o presidente da Câmara de Lisboa.