O Ministro da Educação e Ciência lembrou esta sexta-feira no Parlamento que há mais de dez mil investigadores em Portugal, tentando assim rebater as críticas da oposição, que acusou o executivo de estar a cometer um «cientificídio».

O desinvestimento na ciência, a situação precária em que vivem os investigadores portugueses e a fuga de cérebros voltaram a ser as principais críticas dos deputados da oposição que questionaram o ministro Nuno Crato sobre a polémica em torno do concurso de bolsas individuais de doutoramento e pós-doutoramento 2013 que, esta semana, levou à demissão de dois elementos do júri.

A socialista Elza Pais, que abriu o debate convocado pelo PS, acusou o Governo de fazer recuar o país 20 anos na área da ciência, deixando sem apoio quase 90% dos investigadores: «Uma brutalidade», classificou a deputada, lembrando que, face à situação criada, estes «têm que emigrar se quiserem continuar a fazer investigação».

«O que está a acontecer com a ciência é a imagem do que está a acontecer com o país: empobrecimento», disse Elza Pais.

Nuno Crato contestou as críticas da oposição, falando em «mitos» e garantindo que «não há abandono da investigação científica».

«Há um mito que é preciso refutar: o Governo não desinvestiu na ciência», afirmou o ministro, sublinhando ainda que «o governo continua a apostar na investigação avançada» e recordando a abertura, no ano passado, de «um concurso de projetos de menor dimensão».

Nuno Crato lembrou ainda que «a FCT apoia atualmente mais de 12 mil investigadores em Portugal» e que existe um novo programa internacional: «Temos cerca de 80 mil milhões de euros disponíveis para os investigadores (...) Hoje há mais dinheiro» para a Ciência.

Palavras que não convenceram a oposição: a deputada do PCP Rita Rato lembrou o corte de 82 milhões de euros na ciência e o bloquista Luis Fazenda classificou a política governamental de «cientificídio».

«O senhor ministro pode fazer as piruetas que quiser, mas a verdade é que é responsável pelo desemprego de cinco mil investigadores», acusou Rita Rato, lamentando a precariedade dos cientistas.

Para Odete João (PS), «o programa do Governo é uma enorme errata, que não cumpre nada daquilo que promete».

Sobre a polémica em torno do concurso de bolsas, Nuno Crato remeteu as questões para o presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), que esta tarde também estará no parlamento, na Comissão de Educação, Ciência e Cultura.