O Presidente da República recomenda a observação do que está a ser feito na Irlanda «sem excessos de excitação», quando falta um mês para aquele país concluir o seu programa de ajustamento.

«Eu aconselhava que se observasse aquilo que a Irlanda está a fazer, sem excessos de excitação, com tranquilidade e serenidade, quando falta pouco mais de um mês para terminar o programa. Nós devemos observar aquilo que está a ser feito lá», afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, esta terça-feira, quando questionado sobre a hipótese de Portugal caminhar para um programa cautelar.

Ressalvando que, ao contrário da Irlanda, a Portugal ainda faltam sete meses para a conclusão do programa de assistência financeira, Cavaco Silva insistiu na necessidade de «concentrar os trabalhos naquilo que é fundamental».

Ou seja, acrescentou, «cumprir os compromissos assumidos com entidades internacionais, preparar o regresso aos mercados e estimular a continuação dos bons indicadores de recuperação económica e de criação de emprego».

«Nós neste momento somos capazes de dizer aquilo que desejamos e o que nós desejamos é cumprir os compromissos internacionais que assumimos, regressar aos mercados, promover o crescimento económico e reduzir o desemprego e cada coisa no seu tempo», sublinhou o Presidente da República, que falava aos jornalistas no final de uma visita à base naval de Lisboa, no Alfeite, onde assistiu a um treino de apoio a ações de proteção civil.

Afastado cenário de eleições antecipadas

O Presidente da República voltou hoje a afastar o cenário de eleições antecipadas, sublinhando que Portugal «é um país governável» e que o «normal» é os mandatos dos Governos serem cumpridos até ao fim.

«Já disse noutra ocasião que é bom que Portugal seja na Europa um país normal e o normal na Europa, de que nós fazemos parte, é os mandatos serem cumpridos», afirmou.

Recuperando uma ideia já anteriormente por si defendida, Cavaco Silva recusou que Portugal seja «um país anormal dentro da Europa».

Caso contrário, acrescentou, «os outros olham para nós e os mercados também e dizem: aquele país até parece ingovernável».

«Não é esse o caso, estou convencido que Portugal é um país governável e está a demonstrar que apesar dos pesados sacrifícios exigidos à população, a resposta que ela tem dado tem sido extremamente responsável», enfatizou o Presidente da República.