O Bloco de Esquerda (BE) criticou o «brutal pacote de austeridade» que é o Orçamento do Estado para 2014, documento que considera contrariar as palavras do vice-primeiro-ministro Paulo Portas quando disse que não existiria mais austeridade.

«Este OE é um brutal pacote de austeridade que ataca logo os funcionários públicos que ganham 600 euros por mês», notou o líder parlamentar do partido, Pedro Filipe Soares.

O Governo, diz o bloquista, «segue por um caminho que se provou que não tem saída» e apresenta um défice para 2013 «que prova que a austeridade não compensa».

«Vemos que o défice continua quase igual como estava quando este Governo tomou posse em 2011. (...) A insistência que o Governo faz em mais austeridade para resolver os problemas só demonstra que não aprende com os erros», declarou.

Também o PS considera que a proposta de Orçamento contém um «novo» e «brutal» pacote de austeridade e revela que os sacrifícios pedidos aos portugueses em 2013 foram totalmente perdidos para a recessão.

De acordo com Pedro Marques, «em relação a 2013, que influenciará o Orçamento para 2014, a marca é cinco mil milhões de euros de austeridade, todo o enorme aumento de impostos perdido para a recessão».

«Depois de cinco mil milhões de euros de austeridade em 2013, o défice que vai passar para 2014 é o mesmo do que quando começámos o ano. Os sacrifícios dos portugueses foram todos perdidos para a austeridade provocada pelas próprias políticas recessivas do Governo», sustentou.

Pedro Marques observou depois que, ao contrário do que fora dito há dias [pelo vice-primeiro-ministro] Paulo Portas, verifica-se «afinal um novo e brutal pacote de medidas de austeridade, caso dos cortes de pensões ou do muito maior corte de salários na função pública».

Já o deputado do PCP Paulo Sá classificou a proposta como a «pior» desde que Portugal está sob assistência financeira pela troika.

«Podemos dizer que este será o pior Orçamento do Estado para a vida dos trabalhadores e das famílias desde que foi assinado o pacto de agressão. Vai agravar a vida dos trabalhadores, dos reformados, dos pensionistas, com um objetivo - poder continuar a garantir os benefícios que são dados à banca e aos grandes grupos económicos», disse.

«Todos os cortes atualmente em vigor nos salários e pensões mantêm-se, mas de forma agravada. A redução dos salários vai atingir salários mais baixos, já a partir dos 600 euros», afirmou.

«[O Governo] pretende poupar 3.200 milhões de euros ao mesmo tempo que o esforço exigido às empresas do setor energético e à banca é de apenas 150 milhões de euros», criticou ainda Paulo Sá.

O deputado do Partido Ecologista «Os Verdes» José Luís Ferreira criticou o OE2014. «Com este orçamento do Estado, em 2014 vamos ter mais dor e menos ajustamento. O Governo não só mantém os cortes nos salários e nas pensões - que tinha vindo a impor e que tinham natureza provisória -, como ainda vem impor novos cortes nas reformas e nos salários», afirmou.

«Curiosamente, um Governo que se mostra completamente incapaz também de chamar ou convocar os rendimentos da capital ao sacrifício, nomeadamente no que diz respeito às mais-valias e aos dividendos», acrescentou José Luís Ferreira.

Para o deputado ecologista, o OE2014 é «mais um capítulo no drama social em que estamos envolvidos».