O coordenador do BE apelidou hoje de «história da carochinha» a ideia de que, com a saída da troika, «tudo vai ficar diferente», considerando que a única mudança é que o Governo «perde o seu bode expiatório de estimação».

João Semedo, à margem de uma ação de campanha para as eleições europeias, na Amadora, reagiu assim ao Conselho de Ministros extraordinário de hoje: «o Governo anuncia que, com a saída da troika, tudo vai ser diferente. Isso é uma história da carochinha».

«Hoje ficou claro que, com a troika, ou sem troika, a política do Governo vai ser exatamente a mesma e é aquela que a troika impôs ao país, deseja para o país, tal como Pedro Passos Coelho e Paulo Portas desejam,» defendeu.

Na opinião do deputado bloquista, «a única coisa que muda é que o Governo perde o seu bode expiatório de estimação» e «já não pode evocar a presença da troika para justificar a sua política».

«Se há alguma dúvida houvesse, elas hoje teriam ficado dissipadas. Como nós temos dito, durante ou depois da troika, a política do Governo vai ser exatamente a mesma e a o país não vai mudar enquanto este Governo continuar a governar», reiterou.

Sobre a posição da Comissão Europeia conhecida hoje, dia oficial da saída da troika, - que advertiu Portugal que não haverá complacência neste período pós-ajuda externa - João Semedo considerou que o organismo «foi de uma grande brutalidade».

«Isso foi assim durante três anos. A troika dizia esfola, o Governo dizia mata. Troika e Governo, no que diz respeito ao entendimento sobre a política, não têm qualquer divergência», acrescentou.

Para o líder bloquista, «é natural que hoje, a Comissão Europeia continue a exigir do Governo essa sua atitude de bom aluno e de cumpridor das ordens dos credores».

«A política do Governo é empobrecer o país e os portugueses, em benefício de uma minoria de portugueses e em benefício da banca e dos grandes grupos económicos e financeiros», acusou ainda.

Segundo Semedo, «quando as coisas correm mal, o que o Governo diz é mais propaganda, mais demagogia».

«Volta a falar do aumento do salário mínimo nacional, que é uma novela que dura há três e todos nós sabemos que o Governo não quer aumentar o salário mínimo nacional», criticou, numa alusão a uma notícia do Expresso sobre a intenção do Governo de levar esta proposta à reunião da concertação social depois das europeias.