A presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, avançou com a hipótese de mecenato como solução para custear algumas das iniciativas das comemorações dos 40 anos do 25 de Abril. A notícia é avançada pela edição desta quinta-feira do jornal «Público», que cita fonte do gabinete da própria Assunção Esteves.

De acordo com o jornal, a solução foi avançada em conferência de líderes da última semana e está a causar incómodo entre os deputados. Entre os argumentos contra está a alegada incompatibilidade entre o mecenato (patrocínio de iniciativas culturais) com um órgão de soberania.

Por enquanto, não há qualquer decisão sobre esta hipótese, que não passa disso mesmo, como ressalva o gabinete da presidente da Assembleia da República. De acordo com fontes citadas pelo «Público», quando Assunção Esteves avançou com esta hipótese, houve silêncio na sala e nenhum deputado se manifestou.

Entre as iniciativas avançadas por Assunção Esteves para as comemorações do 25 de Abril, está uma exposição de chaimites junto à Assembleia da República, ornamentadas com cravos criados pela artista plástica Joana Vasconcelos. Seria, aliás, para esta iniciativa que se destinaria o mecenato. A exposição de chaimites é já uma segunda hipótese. A primeira seria uma cobertura para a fachada do edifício da Assembleia da República. Assunção Esteves recuou nesta hipótese, por concordar que teria custos muito elevados.

A escolha da artista já está a originar celeuma. Há quem quem a questione, por temer ser alvo de críticas por parte de outros criadores.

Assunção Esteves quer chegar a um consenso entre as bancadas sobre a forma de assinalar o 25 de Abril e foi entretanto criado um grupo de trabalho com deputados de todas as bancadas. Nuno Encarnação (PSD), João Rebelo (CDS), António Braga (PS), Miguel Tiago (PCP) e Pedro Filipe Soares (BE) reúnem esta quinta-feira com a presidente para discutir o assunto.