O líder da bancada do PCP, João Oliveira, em estreia nas funções durante umas jornadas parlamentares, no Algarve, acusou esta segunda-feira o acordo assinado com a troika de somente resolver os problemas «dos especuladores e da banca».

«Ao fim de dois anos e meio de aplicação do pacto assinado pelas troikas, é indesmentível que os únicos problemas resolvidos foram os problemas dos especuladores e da banca que continuaram a acumular lucros em tempos de crise gerada pela própria especulação», afirmou, no discurso de abertura da iniciativa, em Faro.

O parlamentar comunista criticou a «operação acelerada de extorsão» por parte dos «interesses por trás das troikas», que quererão «tornar definitivo o que até aqui era dado como temporário, pondo em causa o futuro das novas gerações e fazendo regredir as condições de vida e trabalho para um patamar que pode ser pior que o dos seus avós, impondo a exploração e o medo que os seus pais recusaram».

«É isso que representa, na sua essência, o Orçamento do Estado para 2014 - um projeto de perpetuação do retrocesso social e de mutilação da democracia construída com Abril», continuou, mostrando-se contra os «chocantes exemplos» dos «cortes no investimento público» e a «política de privatização dos CTT e dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo».

O deputado do PCP afirmou que «o Algarve que fica depois do verão é o retrato do país que resta, depois de satisfeitos os interesses por trás da troika».

«Uma região saqueada de toda a riqueza produzida com retorno imediato, marcada por desequilíbrios económicos, desigualdades sociais e abandono de boa parte das suas populações», disse.