O presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro acusou o Estado central de se demitir das suas funções relativamente ao arquipélago.

«O Governo dos Açores tem manifestado uma preocupação em diversas circunstâncias, por diversas vezes, e que se traduz numa demissão por parte do Estado em relação às suas funções no território das Regiões Autónomas e, em concreto, aqui na Região Autónoma dos Açores», afirmou Vasco Cordeiro.

O presidente do executivo açoriano falava no final de uma audiência com a procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, na qual esta fez o balanço de três dias de visita aos Açores, salientando a falta de recursos humanos no Ministério Público e Tribunais dos Açores.

«Isso torna-se mais grave quando essa demissão, que não é de agora, se verifica em relação a funções associadas às funções clássicas do Estado e, neste caso, como um contributo essencial para a realização da justiça», acusou o presidente do Governo Regional dos Açores.

Vasco Cordeiro disse que essa realidade se tem verificado «noutros domínios que têm sido públicos», pondo a descoberto as necessidades de reforçar meios e dar outra atenção ao exercício de funções num território arquipelágico e insular.

«Meios humanos desde logo para a Policia de Segurança Publica, para a Guarda Nacional Republicana, nos nossos Tribunais, no Ministério Público, equipamento das Forças Armadas aqui na nossa Região, infelizmente são vários os exemplos daquilo que referi», sublinhou.

Joana Marques Vidal, que se reuniu esta tarde com o Presidente do Governo Regional dos Açores, manifestou a «disponibilidade do Ministério Público, no âmbito das suas funções, para colaborar com os órgãos da Região, nomeadamente com a presidência do Governo Regional» congratulando-se com a mesma disponibilidade demonstrada pelo executivo de Vasco Cordeiro.

«É com todo o gosto que sentimos aquilo que já sabíamos, toda a disponibilidade do Governo Regional para, no âmbito da cooperação institucional, melhorar e aprofundar a relação que já existe entre o Ministério Público e a Região Autónoma», afirmou a procuradora-geral da República.