O secretário-geral do PS acusou sexta-feira à noite o primeiro-ministro de ser indiferente ao sofrimento de muitos portugueses e desafiou-o a «honrar» a sua promessa, voltando atrás com o corte «retroativo» nas pensões.

António José Seguro falava no encerramento de um comício na Freguesia de Taíde, concelho da Póvoa do Lanhoso (distrito de Braga), numa ação de apoio ao candidato socialista a presidente da Câmara, Frederico Castro.

Num município tradicionalmente dominado pelo PSD, o líder socialista fez um ataque cerrado ao líder do executivo, Pedro Passos Coelho, criticando-o pelas consequências sociais da política de austeridade, designadamente pelos cortes nas pensões da Caixa Geral de Aposentações (CGA) e pelo fim da oferta generalizada de inglês a partir do primeiro ciclo do Ensino Básico.

Perante cerca de mil pessoas, muitas delas com balões luminosos da candidatura socialista, Seguro fez um breve balanço do que escutou das pessoas ao longo do seu périplo nacional nesta campanha autárquica.

«Neste mês de setembro tenho andado pelo nosso país a ouvir os relatos dos portugueses. Os relatos são de um dramatismo e são chocantes: gente que vive com pouco, gente que não tem dinheiro para fazer as refeições todas, gente que não tem dinheiro para pagar a conta da água, da luz ou a renda da casa, gente que vive da solidariedade da família, dos vizinhos ou dos amigos. Não tinha que ser assim», declarou o secretário-geral do PS.

Seguro afirmou depois que o seu objetivo é também equilibrar as contas públicas, mas por via do crescimento económico e do emprego.

«O primeiro-ministro, completamente alheado da realidade dos portugueses, indiferente ao sofrimento dos portugueses, não percebendo que os portugueses já não podem com mais sacrifícios, insiste em mais cortes», acusou.

Neste contexto, o secretário-geral do PS desafiou Pedro Passos Coelho a «honrar a palavra dada» antes das eleições legislativas de 2011 e a voltar atrás na sua decisão de cortar nas pensões da CGA.

Tendo nas primeiras filas do comício muitas dezenas de jovens, Seguro perguntou-lhes qual é o futuro que Pedro Passos Coelho lhes oferece. Ouviu-se uma resposta em coro: «Emigração».

Tal como fizera desde o início da jornada de sexta-feira, em Famalicão, o líder do PS reiterou as suas críticas à medida do Ministério da Educação de acabar com a oferta generalizada do inglês no primeiro ciclo do Ensino Básico, alegando que esse passo, a concretizar-se, constituirá "um retrocesso na igualdade de oportunidades" ao nível da escola pública.

Um tema que também foi por si abordado num jantar comício na noite de sexta-feira em Viana do Castelo, numa ação de apoio à reeleição do socialista José Maria Costa nas funções de presidente da Câmara e que juntou, segundo dados da organização, mais de duas mil pessoas.