O PSD acusou o PS de «ziguezague permanente» sobre o memorando de entendimento, exigindo que os socialistas esclareçam se estão «do lado da responsabilidade» e do documento que assinaram e negociaram.

«Este ziguezague permanente do Partido Socialista relativamente à aceitação ou não do memorando de entendimento não ajuda em nada ao salutar debate político que o PSD acha que devia de haver neste momento no país», afirmou Luís Menezes no Parlamento, citado pela Lusa.

Segundo o vice-presidente da bancada do PSD, «quem ouvir as declarações do secretário-geral do Partido Socialista parece que PS não está com o memorando que assinou e negociou», quando «noutras alturas, muitas vezes, as declarações são contraditórias e o PS diz querer estar com o memorando que assinou e negociou».

«Achamos que é importante perceber se o Partido Socialista continua a estar ou não do lado da responsabilidade ou do lado daqueles que assinaram este memorando de entendimento para conseguirmo-nos financiar», defendeu.

«Não ajuda à credibilização do maior partido da oposição num momento em que todos são poucos para travar o combate que estamos a travar», salientou.

O secretário-geral socialista afirmou que Portugal «vive um momento crítico» a nível social, económico e das finanças públicas, não tendo o Governo e a troika consciência da gravidade, e reiterou a necessidade de renegociar o programa de ajustamento.

«Chegámos a um momento crítico da vida do país. Crítico porque estamos a discutir o principal instrumento de execução do programa de ajustamento para o próximo ano, o Orçamento do Estado, e porque chegaram ao conhecimento público elementos importantes, sinais de alerta, sobre a situação económica, social e das próprias contas públicas. O país está numa situação muito grave, mais grave do que o Governo e a própria troika têm consciência», disse António José Seguro.

O secretário-geral do PS falava em conferência de imprensa na sede do partido, depois de uma reunião com os representantes da troika da Comissão Europeia, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu que estão em Portugal para a sexta avaliação do programa de ajustamento financeiro.

Sobre as propostas de alteração ao Orçamento apresentadas pelo PS, Luís Menezes criticou as propostas relativas ao subsídio social de desemprego e sobre as parcerias público-privadas.

«O subsídio social de desemprego não é um instrumento de demagogia política. Aquilo que vemos é que quando dá jeito ao Partido Socialista facilitam nessa medida em particular, quando não lhes dá jeito cortam-na como fizeram quando estavam no Governo», afirmou.

Relativamente às parcerias público-privadas, o PSD acusa o PS de propor «um corte de 120 milhões de euros de legalidade altamente duvidosa».

«Além disso, o que nos surpreende é que o corte seja só de 120 milhões de euros, quando este Governo propõe-se a cortar 250 milhões de euros nas PPP por ano neste Orçamento do Estado», disse Luís Menezes.