O antigo dirigente do PSD António Capucho manifestou hoje o seu apoio à candidatura do PS para as eleições europeias, demonstrando «admiração pelas qualidades pessoais e políticas» de Francisco Assis.

«Ocorre que me identifico no essencial com o manifesto eleitoral do PS», revela Capucho numa missiva de apoio à candidatura socialista.

O cabeça de lista do PS para as europeias, Francisco Assis, já reagiu e disse estar «profundamente satisfeito e honrado» com o apoio do antigo dirigente do PSD António Capucho à lista socialista para o Parlamento Europeu.

Francisco Assis falava aos jornalistas no final de um pequeno-almoço de cerca de 20 minutos com António Capucho num hotel no Estoril, concelho de Cascais, onde Capucho foi presidente da autarquia.

No texto de apoio à candidatura do PS, Capucho define-se como um «cidadão partidariamente independente» e considera que a coligação PSD/CDS que governa Portugal «afasta-se profundamente, na política interna e na estratégia europeia», do caminho que defende «para que o país possa ultrapassar a crise em que está mergulhado».

«De facto, o Governo persiste na austeridade excessiva que leva ao definhar da economia, ao agravamento de desemprego e ao empobrecimento dos portugueses, sem resolver os principais problemas estruturais do país, como decorre designadamente da incapacidade de formular uma estratégia consequente de reformas e de inverter o crescimento da dívida», sublinha o antigo ministro e antigo líder parlamentar social-democrata.

«Consequentemente, considero mesmo que a política governativa deve merecer nas urnas um claro voto de protesto por parte dos cidadãos eleitores», acrescentou o também antigo presidente da Câmara de Cascais.

Deixando elogios a Francisco Assis, que conheceu «mais de perto» quando ambos lideravam os respetivos grupos parlamentares na Assembleia da República, Capucho diz ter igual apreço «pela generalidade dos demais candidatos socialistas que integram uma lista corajosamente paritária», chamando a atenção para Maria João Rodrigues, que ocupa o segundo lugar, e que tem uma «visão prospetiva sobre a União Europeia» com a qual o antigo dirigente do PSD se diz identificar.

«Por tudo o que antecede, em consciência e em coerência, obviamente votarei PS», finda António Capucho a sua missiva de apoio à candidatura do PS ao Parlamento Europeu.

O antigo dirigente do PSD disse ainda esperar uma vitória do PS nas próximas eleições legislativas, em 2015, se no PSD se mantiverem «as pessoas que dirigem o partido como têm dirigido até agora».

Questionado pelos jornalistas sobre se espera que o PS ganhe as futuras legislativas, Capucho declarou: «Espero que sim se se mantiverem à frente do PSD as pessoas que dirigem o partido da forma como têm dirigido até agora e conduzem os negócios de Estado como têm conduzido até agora, evidentemente que sim».

O Conselho de Jurisdição Nacional do PSD aprovou em fevereiro a expulsão de António Capucho devido à sua candidatura autárquica em lista adversária do partido em 2013, a candidatura independente «Sintrenses com Marco Almeida», à Assembleia Municipal de Sintra.