O Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, considerou esta sexta-feira que a manifestação dos taxistas contra a Uber “não é justa”, dado o trabalho que tem vindo a ser feito, mas “legítima”.

A manifestação, sinceramente, não me parece justa em face do trabalho que vinha e continua a ser feito, sendo que é certamente uma manifestação legítima”, disse o governante, à margem da cerimónia em que recebeu a medalha e o título de cidadão honorário de Matosinhos, no distrito do Porto.

Milhares de taxistas do Porto, Lisboa e Faro manifestaram-se esta quinta-feira contra a empresa de serviço de transporte privado Uber, sendo recebidos por presidentes de câmaras, pela chefe de gabinete do presidente da Assembleia da República e por grupos parlamentares.

O governante, que tutela os transportes urbanos, afirmou que as indicações que recebeu são de que a manifestação, que ainda não terminou, decorreu de forma “ordeira nas três cidades”, com as associações do setor a liderarem “serenamente” os protestos.

João Pedro Matos Fernandes frisou que o Governo está em “negociações” com as associações que representam os taxistas, tendo, inclusive, enviado um documento com uma proposta de renovação do setor que é “fundamental” para a mobilidade urbana, mas que precisa de ser “modernizado”.

Todos sentimos que o setor precisa de ser modernizado, tanto no serviço que presta como na modernização daquilo que são as novas formas de atender os clientes”, sustentou.

O ministro frisou que as associações de taxistas lhe transmitiram que só irão discutir a nova proposta de regulamentação do setor “no dia em que a Uber parar”, mas realçou que “não está nas mãos do Ministério do Ambiente fazer com que a Uber pare”.

A porta do diálogo está completamente aberta, portanto, desafio-os para que muito rapidamente nos possamos encontrar, tal como já o fizemos”, ressalvou.

O que está nas nossas mãos é fiscalizar todos os modos de transporte que não se processam de acordo com a lei, mas não estamos perante uma situação de saúde pública”, acrescentou.

O governante sublinhou haver hoje novas formas de mobilidade, que devem ser serenamente discutidas.

Falam essencialmente na Uber por uma questão de quantidade, eu percebo, mas há partilhas de viagens e outras plataformas em que não podemos, naturalmente, cristalizar a lei que existe, por isso, queremos falar sobre elas criando formas justas para todas as partes”, realçou.

Contudo, o ministro frisou que a sua principal preocupação é o setor do táxi, que precisa de um “grande impulso e melhorias”.

O governante entende que a mobilidade urbana “ainda não deu o salto em Portugal”.

Está a ser criado um grupo de trabalho, constituído por representantes do setor, de gestores das cidades e da mobilidade e em que a questão da regulamentação dos táxis será discutida.