O líder do PS disse hoje ser inaceitável o «retrocesso» na Saúde, pelo qual responsabilizou o Governo, «com cortes em mais 75% do que o que estava previsto no memorando de entendimento».

António José Seguro visitou o Hospital de Aveiro no Dia Mundial da Saúde, onde «há milhares de pessoas à espera de uma consulta há mais de um ano», para considerar inaceitáveis os cortes na Saúde já feitos e os «novos cortes que, segundo as informações que vão chegando a público, se prepara na agenda escondida» do governo.

«Isto (os cortes) não é maneira de tratar os portugueses, retirando-lhes cuidados de saúde que são fundamentais. Portugal gasta «per capita», na saúde abaixo da média dos países da OCDE, com ganhos de eficiência, o que quer dizer que é importante continuar a financiar o Serviço Nacional de Saúde, para que possa dar respostas e não o contrário, que conduz a situações de rutura», declarou.

O líder do PS explicou que escolheu hoje o Hospital de Aveiro para visitar «porque (o Centro Hospitalar do Baixo Vouga) ainda não tem um plano estratégico e é impossível haver um Hospital que tem uma população de cerca de 400 mil pessoas, em Águeda, Estarreja e Aveiro, sem um plano estratégico que clarifique o que são as valências e os cuidados de saúde».

António José Seguro salientou que o centro hospitalar «não tem divulgado os dados das listas de espera para consultas e os últimos dados que tornou conhecidos são de outubro de 2013, havendo áreas em que se espera muito tempo por uma consulta».

Exemplificou com os casos de Dermatologia com espera de 915 dias, Estomatologia com mais de 1100 dias, Otorrinolaringologia com mais de 530 dias, ou Hematologia com mais de 658 dias. «Estamos a falar, em alguns casos de milhares de doentes: em Dermatologia estão mais de 7000 doentes à espera de uma consulta, o que é inaceitável», disse.

António José Seguro aproveitou o Dia Mundial da Saúde para «expressar o reconhecimento pelo trabalho que os profissionais de saúde fazem, perante as enormes dificuldades por que hoje passa» o Serviço Nacional de Saúde.

«É importante realçar o contributo que os médicos e enfermeiros dão para tornar possível que os doentes sejam tratados», sublinhou.