O PCP classificou esta terça-feira como questão «margina» saber se o Governo mentiu ou não quanto aos swaps, criticando a realização e renegociação destes contratos que «visam assegurar lucros» à banca «à custa dos trabalhadores e do povo português».

«Se a ministra Luís Albuquerque mentiu ou não mentiu, se o secretário de estado Pais Jorge mentiu ou não mentiu, são questões absolutamente marginais quando comparadas com o fundo da questão, ou seja, o prejuízo do interesse público e a criação de condições para satisfazer grupos financeiros», afirmou, em declarações à Lusa, o dirigente do PCP Jorge Cordeiro.

Para o PCP, «aquilo que foi feito foi assegurar que centenas de milhões de euros saem dos bolsos dos trabalhadores e do povo português para entidades financeiras nacionais ou internacionais» como «Citigroup, Golden Sachs ou Santander«.

Segundo o comunista, neste processo, «as Luís albuquerques cá da terra, os Pais jorges cá da terra e outros agem num sentido claro, determinados pelos interesses que servem».

«Não estamos aqui com um problema de falhas de caráter, de erros de percurso e de valorização sobre procedimentos éticos, aquilo que queremos sublinhar é a dimensão politica e financeira que está associada a um percurso de intervenção política de sucessivos governos que, no fundamental, nesta fusão do poder politico e económico e de promiscuidade dos interesse políticos e económicos, asseguram a transferência de recursos públicos para os bolsos do capital financeiro», frisou o dirigente.

O PCP critica, assim, as «opções políticas associadas a interesses económicos e financeiros ao serviço do grande capital nacional e internacional», lamentando que estas decisões se estejam a traduzir em ¿perdas imensas que os trabalhadores estão a pagar com os seus salários, os reformados com as suas pensões e as pequenas e médias empresas com as suas falências¿.

O secretário de Estado do Tesouro, Joaquim Pais Jorge, recusou na sexta-feira responsabilidades na tentativa de venda pelo Citigroup ao Estado de swaps para baixar artificialmente o défice, e disse não se lembrar se esteve na apresentação da proposta.

No entanto, Pais Jorge confirmou na segunda-feira à SIC, por escrito, ter reunido com o gabinete de José Sócrates, enquanto diretor do Citigroup.

A revista Visão noticiou na quinta-feira que o Citigroup propôs em 2005 swaps a Portugal para baixar artificialmente o défice, estando o atual secretário de Estado do Tesouro e o dono da consultora StormHarbour entre os responsáveis pela proposta.

De acordo com um documento a que a Lusa também teve acesso, o banco norte-americano fez várias propostas ao instituto que gere a dívida pública portuguesa, o IGCP, de swaps que baixariam artificialmente o défice.