O secretário de Estado das Comunidades homenageou hoje em Vale de Cambra Manuel Luciano da Silva (1926-2012), cuja dedicação como médico e historiador considera exemplar, numa altura em que «Portugal não pode limitar-se a receber remessas» dos emigrantes.

Em causa estava a entrega da Placa de Mérito das Comunidades Portuguesas ao falecido comendador, que, natural de Cavião (onde a sua casa natal foi transformada num Museu-Biblioteca), cedo emigrou para os Estados Unidos, onde desenvolveu carreira como médico, defensor da Pedra de Dighton e estudioso de Cristóvão Colombo - em moldes que inspiraram, aliás, o filme de Manoel de Oliveira sobre o navegador.

O secretário de Estado José Cesário destacou, contudo, a faceta «solidária» de Manuel Luciano de Almeida, que descreveu como «um homem bom, frontal, que trabalhou sobretudo como médico dos pobres», oferecendo consultas não só à população de Vale de Cambra, por videoconferência a partir dos Estados Unidos, mas também às comunidades mais pobres de Rhode Island e Massachusetts, como as de origem açoriana.

«Conheci o Dr. Manuel Luciano em vida e era um homem extraordinário», afirmou José Cesário. «O desafio que fica é o da Associação Dr. Manuel Luciano da Silva desenvolver projetos que possam perpetuar a herança dele aqui e noutros locais do mundo».

Para o secretário de Estados das Comunidades, o objetivo é que eventuais iniciativas como conferências, exposições e eventos culturais ajudem a passar o exemplo do médico de Cavião «às gerações mais novas», de forma a sensibilizá-las para o seu humanismo, a sua «presença entre os emigrantes» e o seu «contributo para a afirmação da portugalidade».

«Portugal não se pode limitar a receber as remessas das comunidades que tem lá fora», defende José Cesário. «Os portugueses na América do Norte reagem muito a esse tipo de iniciativas [de promoção das suas origens] e é preciso tê-las em atenção, porque essas comunidades são fundamentais para Portugal a nível político e social».

O governante insiste, por isso, que «a ligação às comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo é vital» e que um dos méritos a replicar com base na vida de Manuel Luciano da Silva «é precisamente essa presença, essa ligação regular».