O secretário-geral do PS acusou o primeiro-ministro de ser o único responsável por Portugal não ter regressado hoje aos mercados, dizendo que Passos Coelho foi para além da troika para agradar aos mercados, mas falhou.

Falando num comício, António José Seguro referiu na sua intervenção uma garantia que, sublinhou, foi dada no ano passado pelo ex-ministro de Estado e das Finanças Vítor Gaspar.

«Disse [Vítor Gaspar] aos jornalistas: Apontem aí, dia 23 de setembro de 2013 Portugal regressará aos mercados», afirmou o líder socialista, antes de rematar que, «infelizmente, por culpa do primeiro-ministro», esse cenário não se concretizou.

Seguro referiu que, em nome desse regresso aos mercados, Passos Coelho «exigiu pesados sacrifícios aos portugueses, despediu gente, cortou salários, aumentou o IVA da restauração, cortou pensões, empobreceu o país, destruiu a classe média, aumentou os impostos» e os portugueses «cumpriram todos os sacrifícios como nunca houve memória» na democracia em Portugal.

«Pois bem, hoje é dia 23 de setembro de 2013 e, infelizmente, Portugal não regressou aos mercados. Não regressou aos mercados não por culpa dos portugueses, mas por única responsabilidade do primeiro-ministro, do Governo e da sua política», especificou o secretário-geral do PS.

Ainda numa lógica de crítica, Seguro declarou que, nos últimos dois anos, Pedro Passos Coelho «tudo fez para agradar aos mercados, mas, agora, vem dizer que os mercados não o compreendem».

«Ele fez mais do que exigia a troika[Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional] para agradar aos mercados e diz agora que os mercados não o compreendem. Quem não o compreende é a esmagadora maioria do povo português», concluiu Seguro.

Antes da intervenção de Seguro, José Manuel Ribeiro fez um discurso otimista sobre a possibilidade de o PS recuperar a Câmara de Valongo no próximo domingo, depois de 20 anos de gestão do PSD.

No seu discurso, o ex-deputado do PS salientou a importância de os cidadãos «voltarem a confiar na palavra dos autarcas» e de o poder local cuidar e responder ao fenómeno social da solidão.

«Mas a Câmara de Valongo tem também de tornar-se mais amigável para os investidores», disse, antes de fazer uma alusão aos seus adversários sociais-democratas, advertindo que os últimos dias de campanha serão marcados por «muitas mentiras e políticas baixas».