O presidente do Governo Regional da Madeira acusou hoje o PS e o CDS-PP de brincarem às eleições, considerando ter havido pessoas com a «utopia» de pensar que a classe política se ia entender.

«Houve pessoas que tiveram a utopia de pensar que aquela classe política de Lisboa se ia entender. O problema do país é reduzir Portugal inteiro, as suas regiões autónomas àquela classe política de Lisboa que não presta», afirmou Alberto João Jardim, em Santana.

Ao discursar no evento «48 Horas a Bailar ¿ XXIX Festival Regional de Floclore», o chefe do executivo insular, Alberto João Jardim, também líder do PSD/Madeira, sustentou que, «enquanto se estiver a procurar soluções no quadro daquela classe política», o país não vai «a parte nenhuma».

«Nós temos de encontrar uma solução, que é resolver esta crise da dívida externa, mas não estar aqui a brincar mais aos partidos, porque o Partido Socialista esteve a inviabilizar isto tudo, como o senhor [Paulo] Portas do CDS foi de uma irresponsabilidade imperdoável - todos eles o que querem é brincar às eleições, todos eles o que querem é brincar aos partidos», declarou Alberto João Jardim

Afiançando não estar no cargo para «brincar aos partidos», mas «para servir o povo», Alberto João Jardim continuou: «Era bom que no continente também se habituassem a ter gente ao serviço do país e não ter gente ao serviço dos partidos a querer brincar a eleições e só brincar nos partidos».

Para Alberto João Jardim, a solução para ultrapassar a crise política passa por pôr o país sob estado de emergência até junho de 2014, quando termina a assistência da troika, reiterando que o chefe de Estado deveria nomear um governo de responsabilidade presidencial, «sem pôr em causa as eleições autárquicas», e determinar um referendo à Constituição.

Questionado pelos jornalistas sobre o anúncio do secretário-geral do PS, que na sexta-feira revelou a inexistência do acordo de «salvação nacional», o governante observou: «Estava-se mesmo a ver que não aceitava. Quem olha as propostas do PS que eles próprios tornaram públicas, via-se mesmo que era para não serem aceites, que eram para meter o país noutra derrocada ainda maior, irmos a um segundo resgate e nunca mais se acabar com a austeridade».

A crise política arrasta-se há três semanas, depois das demissões do ministro das Finanças, Vítor Gaspar, a 01 de julho, e do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, no dia seguinte.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, não aceitou a demissão de Portas - que justificou o pedido por ser contra a escolha de Maria Luís Albuquerque para substituir Gaspar - e a maioria PSD/CDS-PP apresentou ao Presidente da República e publicamente a 06 de julho um compromisso até ao final da legislatura, que passaria, nomeadamente, por uma remodelação com Paulo Portas a vice primeiro-ministro.

A 10 de julho, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, fez uma comunicação ao país na qual propôs um «compromisso de salvação nacional» entre PSD, PS e CDS, que inclui eleições a partir de junho de 2014.

Na sequência desta proposta, os três partidos iniciaram as conversações no passado domingo, que culminaram no anúncio de sexta-feira, por António José Seguro, de que não houve acordo, havendo hoje, pelas 20:30, uma nova comunicação ao país do chefe de Estado.