O presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, classificou hoje a decisão do Tribunal Constitucional sobre o Orçamento Regional para 2014 uma «grande vitória» e uma «derrota» de uma «visão arcaica e empoeirada da autonomia».

«A decisão que hoje foi tornada pública é uma grande vitória para o povo açoriano e para a nossa autonomia», afirmou Vasco Cordeiro numa declaração aos jornalistas, em Ponta Delgada.

O Tribunal Constitucional declarou hoje constitucional o Orçamento dos Açores para 2014, cuja fiscalização preventiva tinha sido solicitada pelo representante da República para a região devido à alteração da remuneração complementar de que beneficiam os funcionários públicos.

Para Vasco Cordeiro, a decisão do TC é também uma «derrota clara de uma visão arcaica e empoeirada da autonomia que é firmemente rejeitada pelos açorianos e que é agora, também, rejeitada pelo Tribunal Constitucional».

O chefe do Executivo açoriano referiu que «foi confirmada a legitimidade e competência» para os açorianos trilharem uma ¿caminho próprio¿, concretizando uma «via açoriana, que ajude as famílias e que não embarca, que recusa embarcar, na fúria de sacrifícios e de cortes que grassa no Governo da República».

Lembrando que hoje foi dado «mais um passo de grande significado político» e que a autonomia dos Açores sai «fortalecida deste grave atentado para a condicionar e diminuir», Vasco Cordeiro afirmou que o tempo também deve ser de «alerta», porque «as ameaças e os perigos continuam a espreitar».

«É por isso que, com determinação e com ambição, devemos continuar vigilantes e atentos para que o muito que se conquistou em décadas de trabalho árduo e de luta, e que hoje se confirmou pela decisão do TC, não seja posto em perigo nem pelos autonomistas de fachada de cá, nem pelos antiautonomistas de lá», sustentou.

Para Vasco Cordeiro, o pedido de fiscalização subscrito por Pedro Catarino sai «destruído» com esta decisão do TC, considerando, ainda, que «já se perdeu tempo de mais nesta questão de evitar que o orçamento da região para 2014 entre imediatamente em vigor».

«Não acredito que seja possível conceber a ideia de um veto político. Se tal acontecesse seria uma declaração de guerra aos Açores», afirmou Vasco Cordeiro.

A remuneração complementar (também conhecida como subsídio de insularidade) existe há mais de dez anos para os funcionários da administração regional que ganham até 1.304 euros. O orçamento dos Açores para 2014 prevê o seu alargamento para os salários base até 3.050 euros. O universo de beneficiários passa dos atuais 7.590 funcionários para 13.861.