O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, disse hoje que a situação atual do secretário-geral do PS está «fragilizada» para poder fazer propostas no Conselho de Estado.

Alberto João Jardim comentava, assim, à margem da cerimónia do Dia da Região Autónoma da Madeira e das Comunidades Madeirenses, o facto de António José Seguro ter defendido que o Conselho de Estado de quinta-feira devia debater a renegociação da dívida de Portugal.

«Neste momento, o dr. António José Seguro está numa situação muito fraca sem qualquer poder de argumentação credível porque o primeiro grande responsável por toda esta situação foi o PS e, em segundo lugar, o dr. António José Seguro está, neste momento, apesar de ganhar umas eleições, confrontado com uma crise interna que põe em causa a sua autoridade legítima e democrática», comentou.

Para Alberto João Jardim, «a credibilidade depende também da forma como também ele conseguir ultrapassar este obstáculo, não está numa posição de força para chegar ao Conselho de Estado, como líder da oposição indiscutível, e fazer propostas».

João Jardim chamou ainda a atenção para «a vigarice do FMI» que agora vem dizer que Portugal deveria renegociar a dívida, quando andou na troika e colocou a Portugal estas condições.

«Porque não disseram isso na altura?», questiona.

Lembrou que sempre defendeu a renegociação da dívida: «Claro que foi o que eu sempre disse, parte desta dívida devia ter sido prolongada no tempo e parte devia ter sido renegociada como a Grécia renegociou e obteve um perdão por parte da divida dos credores».

Disse ainda que «Portugal tem uma Constituição inadequada que está entregue a interesses que tomaram os partidos por dentro e que não representam o sentimento popular».

«Portugal está nas mãos do grande capital internacional e nacional, toda política que tem sido seguida na Europa é no sentido de privilegiar a retoma da banca», acrescentou.

Referiu também ser «ótimo» que a atual direção do PSD nacional não tenha recebido bem a proposta de revisão constitucional da Madeira.

«A atual direção nacional do PSD é situacionista, nós, na Madeira, não somos situacionistas, ideologicamente não estamos dentro do mesmo barco ideológico e, portanto, não reconhecemos autoridade a ninguém, a começar pela atual Direção do PSD nacional, partido que foi sempre líder e campeão das autonomias e que estes senhores parecem esquecer».

«Nós não reconhecemos seja a quem for, o direito de dizer aos madeirenses como é que nós devemos viver», insistiu.

Alberto João Jardim desmistificou a teoria de que a revisão é para atingir o Tribunal Constitucional realçando que «dentro do Supremo Tribunal de Justiça haverá a chamada secção Constitucional».

«Os interesses instalados não querem que haja revisão porque isto é a maminha deles e, portanto, estão a apegar só nesse pormenor do Tribunal Constitucional para agitar e tentar deturpar o pensamento que está nesta revisão Constitucional, não íamos alterar o nosso pensamento só porque o atual Tribunal Constitucional, na sua composição atual, resolveu tomar determinadas medidas que eu até acho que estão certas», concluiu.