O socialista Manuel Alegre apelou hoje, em Coimbra, a todos os deputados para que aprovem a trasladação do corpo do capitão de Abril Salgueiro Maia para o Panteão Nacional, no âmbito do 40.º aniversário do 25 de Abril.

A trasladação seria a «homenagem nunca prestada» ao «herói e símbolo do 25 de Abril Salgueiro Maia», afirmou Manuel Alegre, durante o seu discurso na «sessão cívica em defesa da Constituição, da democracia e do Estado social», que teve lugar, ao final da tarde de hoje, no auditório da reitoria da Universidade de Coimbra.

No encontro, em que participaram cerca de meio milhar de pessoas, também falaram José Dias (independente), o antigo deputado do CDS Ferreira Ramos, a bloquista Catarina Isabel Martins, o comunista Jorge Gouveia Monteiro, o social-democrata Jaime Ramos e o fundador do Serviço Nacional de Saúde António Arnaut, que presidiu à sessão.

Manuel Alegre, num outro momento da sua intervenção, sublinhou que, caso não se assista ao «regresso da transparência, à reposição do princípio da igualdade entre os estados democráticos e ao restabelecimento do método democrático», a possibilidade de um «salto federal na Europa» seria «uma precipitação, um salto no escuro, ou talvez no abismo».

Detendo-se sobre a crise portuguesa, o histórico do PS afirmou que «nenhum programa de ajustamento se destina a acertar as contas públicas, mas a empobrecer o país», defendendo que «a troika é um braço armado do Governo, que tenta demolir o Estado social».

Face à situação que se vive em Portugal, Alegre defendeu que «tudo justificaria a intervenção do Presidente [da República]» e a convocação de «eleições antecipadas».

O antigo candidato à Presidência frisou que, «se se destroem os direitos sociais, destroem-se os direitos políticos», sublinhando que o Estado social e a Constituição da República «não são propriedade ideológica de ninguém».

A Constituição é «vista como um empecilho», assim como o Tribunal Constitucional, o qual «é atacado» pelo Governo, criticou Manuel Alegre.

«Não temos ninguém que nos defenda, a não ser a nossa consciência», num momento em que se observa a «um capitalismo sem ética nem regra» e a um Governo que «trata os portugueses como inimigos», declarou.

Para o histórico do PS, a política precisa, «mais do que nunca, de ter risco, coragem e ousadia».