O ministro da Defesa espera que a imunidade parlamentar da eurodeputada Ana Gomes seja levantada rapidamente para que seja constituída arguida no processo que lhe moveu por difamação, segundo fonte do gabinete de Aguiar-Branco.

«Tendo em conta as acusações difamatórias feitas reiteradamente pela própria nos últimos meses, não será compreensível que Ana Gomes não preste todos os esclarecimentos pedidos», afirmou fonte do gabinete do ministro da Defesa Nacional, numa declaração enviada à Agência Lusa.

O presidente do Parlamento Europeu anunciou hoje, em Estrasburgo, que recebeu do Ministério Público um pedido de levantamento da imunidade da eurodeputada portuguesa Ana Gomes, na sequência do processo de difamação movido pelo ministro da Defesa.

«Espera-se que o levantamento da imunidade parlamentar possa ser concretizado, o mais rápido possível, de forma a que a eurodeputada Ana Gomes possa ser constituída arguida pelo Ministério Público no processo», acrescentou a fonte, defendendo que «imunidade não pode ser sinónimo de impunidade».

Confrontada hoje com o pedido de levantamento da imunidade parlamentar, que foi remetido para o gabinete de Assuntos Jurídicos do Parlamento Europeu, Ana Gomes disse que respeitará a decisão da assembleia, sublinhando que não deixará de expor aquilo que considera serem as «responsabilidades políticas e eventualmente criminais» no processo de subconcessão dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo.

Em causa está um processo movido pelo ministro da Defesa português, que apresentou em janeiro passado uma queixa por difamação na sequência de declarações da eurodeputada sobre alegadas ligações entre o seu escritório de advogados e o grupo Martifer, que venceu o concurso público internacional para a subconcessão dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo.

Em novembro de 2013, em declarações na TVI24, Ana Gomes criticou o processo de subconcessão dos estaleiros e defendeu que «é preciso verificar» eventuais «negócios» entre o escritório de advogados do ministro e o grupo Martifer.