Por: Redacção / PP | 10- 3- 2010 20: 5
O Parlamento debate na próxima quarta-feira em plenário a criação da comissão de inquérito sobre a actuação do Governo
no negócio da TVI, numa iniciativa do PS que acusa PSD e BE de querer «enxovalhar» José Sócrates.
«Esta comissão
de inquérito tem um único propósito, enxovalhar a figura do primeiro-ministro. E, por isso, queremos fazer uma discussão séria
e transparente no plenário da Assembleia da República», afirmou o líder parlamentar do PS, Francisco Assis, afirmando que
as razões do PSD e do BE para avançar com o inquérito parlamentar «são razões espúrias».
TVI: Mota Amaral preside comissão de inquérito
À saída da reunião da conferência de líderes,
Francisco Assis considerou que as audições realizadas nos últimos dias na comissão de Ética deixaram claro que «o primeiro
ministro não mentiu».
«É preciso que aqueles que avançaram com a constituição dessa comissão digam claramente
ao Parlamento e ao país a razão de ser de tal orientação, e nós apresentaremos as nossas razões», argumentou Assis.
Questionado
sobre que consequências políticas poderão ser retiradas se a comissão de inquérito concluir que o primeiro-ministro mentiu,
Assis afirmou: «A oposição para concluir que o primeiro-ministro mentiu tem que fazer a prova, e estou certo que a oposição
não tem condições para fazer a prova de um facto que não existiu».
Sócrates terá papel importante
Já
o líder parlamentar do Bloco de Esquerda admitiu que o primeiro-ministro terá um papel importante na comissão para o esclarecimento
da tentativa de compra da TVI por parte da PT.
«Impõe-se que haja um esclarecimento cabal sobre o eventual envolvimento
do Governo e, muito provavelmente, o primeiro-ministro é seguramente alguém que tem um papel muito importante no esclarecimento
que é devido a todos os portugueses», afirmou o líder parlamentar do BE.
Numa referência indirecta às críticas feitas
pelo PS, José Manuel Pureza defendeu em contraponto que a existência de comissões de inquérito «é um instrumento que deve
ser encarado com serenidade, sem nenhuma irritação ou nervosismo».
PSD recusa ataque
Também o deputado
do PSD Agostinho Branquinho recusou qualquer objectivo de «ataque pessoal» à figura do primeiro-ministro, e defendeu que se
justifica apurar no Parlamento se José Sócrates tinha ou não conhecimento do negócio da TVI.
«Nós não temos uma visão
sectária de ataque pessoal a nenhum a pessoa. O que pretendemos é apurar um conjunto de factos. Não percebo como é que ainda
antes da comissão de inquérito começar a funcionar se retiram conclusões», afirmou.
Em declarações aos jornalistas,
o deputado considerou que «só quem não está de consciência tranquila é que antes de averiguar fatos, começa a tirar conclusões».
Questionado pelos jornalistas, Agostinho Branquinho não quis esclarecer se o PSD vai chamar o primeiro-ministro
a prestar esclarecimentos no âmbito da comissão.
«Aquilo que o primeiro-ministro disse foi público e foi no plenário.
Se se entender que são necessários mais esclarecimentos, obviamente que também pediremos esses esclarecimentos ao senhor primeiro-ministro»,
disse.
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