A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, condenou hoje o alegado tráfico de seres humanos para trabalhos agrícolas no Alentejo, frisando que os casos identificados revelam que o Estado português «está atento e a fiscalizar como é devido».

«Obviamente, é uma situação condenável», disse a ministra, aos jornalistas, em Beja, referindo que o facto de se estar, atualmente, «no encalce dessas situações significa que o Estado, através dos seus mecanismos de controlo, está atento e a fiscalizar como é devido».

Segundo a ministra, que falava à margem da inauguração da exposição «Arte numa perspetiva diferente», na galeria de arte da empresa do Alqueva, atualmente, «assistimos, de facto, a uma fiscalização que está a dar o seu resultado».

«É bom que [a fiscalização] exista, que sirva como exemplo daquilo que não se pode fazer», frisou, referindo que «também é bom que possamos mostrar os exemplos, que há muitos e são a maioria, daquilo que se está a fazer na criação de bom emprego» no setor agrícola no Alentejo.

Segundo Assunção Cristas, «o que queremos para a agricultura é a criação de bom emprego, com boa remuneração e com um sempre acrescento de valor para todas as pessoas envolvidas», ou seja, os trabalhadores e os empresários, e «para o país».

No passado dia 13, numa herdade perto de Beja, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) deteve quatro estrangeiros, entre os 23 e os 51 anos, por suspeita de tráfico de seres humanos.

Durante a operação, o SEF resgatou 28 pessoas que estavam na situação de exploração e de tráfico, alegadamente para trabalharem na apanha da azeitona.

No dia anterior, a Polícia Judiciária (PJ) anunciou que, na sequência de uma queixa formulada por um grupo de estrangeiros, deteve, no concelho de Serpa, três homens, entre os 22 e os 33 anos, por suspeita da prática de um crime de tráfico de seres humanos para apanha de azeitona no Alentejo.

Segundo a PJ, os detidos terão contratado no país de origem e transportado para Portugal trabalhadores estrangeiros, que alojaram «em condições precárias e retendo-lhes os documentos de identificação como garantia de pagamento das despesas de transporte e estadia».