A coordenadora nacional do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, considerou, nesta quarta-feira, que o ministro da Educação está "a fazer o que tem de ser feito" com o novo modelo educativo, acabando com "exames que não têm sentido".

"O que este ministro [da Educação] está a fazer agora é o que tem de ser feito. É acabar com exames que não têm sentido e trocá-los pela avaliação que deve ser feita no nosso país, que segue os melhores exemplos internacionais e que põe o nosso país na mesma estratégia de qualificação dos países que têm as suas populações mais qualificadas", sustentou.

No final de uma visita às instalações da Empresa de Desenvolvimento Mineiro, no concelho de Nelas, Catarina Martins frisou aos jornalistas que o atual ministro da Educação está a trabalhar para colocar Portugal no grupo de países que possuem uma população mais qualificada.

"O que este ministro está a fazer é não perder tempo, para tornar a integrar Portugal no conjunto dos países desenvolvidos e com população qualificada, que avalia as crianças como elas devem ser avaliadas: pelos seus professores, não abdicando de sistemas de avaliação do próprio sistema educativo, como as provas de aferição", apontou.

A porta-voz do BE aproveitou o tema para apontar o dedo ao antigo Governo de direita e a Nuno Crato, a quem acusa de ter sido radical.

"Quando Nuno Crato, no anterior Governo, decidiu quebrar todo o consenso internacional sobre a avaliação e impor exames no 1.º ciclo, que não existiam em mais nenhum sítio da Europa, ninguém disse que era radicalismo! As escolas disseram, os pais disseram, mas não houve esta catadupa de comentadores tão chocados", concluiu.
 

35 horas semanais "o quanto antes"


Catarina Martins também defendeu hoje que deve ser aplicado o quanto antes o horário de trabalho semanal de 35 horas para a função pública.

"O BE defende 35 horas semanais para a função pública e para o setor privado. E isso deve ser aplicado o quanto antes, garantindo, naturalmente, o funcionamento da função pública, no que são os serviços públicos e a forma como funciona com os cidadãos", sustentou.

No seu entender, é possível respeitar os direitos dos trabalhadores e também, em simultâneo, toda a população no acesso aos serviços públicos.

"A reposição das 35 horas é um direito dos trabalhadores da função pública. Lembro que em Portugal as 40 horas estão na lei e não deviam estar, mas há muitos setores de atividade que não utilizam as 40 horas e se trabalha menos, e ainda bem", evidenciou.

A porta-voz do BE considerou ainda que quando o horário de trabalho semanal passou de 35 para 40 horas na função pública, os trabalhadores foram claramente assaltados, ao trabalharem horas que não lhes são pagas.

"Ao mesmo tempo, deu-se um sinal a todo o país e a todo setor privado, que estava bem aumentar horas de trabalho sem aumentar salário", finalizou.