O tema era inevitável e, no debate do Estado da Nação, a oposição atacou a descoordenação na Defesa, a nível militar e político, no caso Tancos. O primeiro-ministro saiu em defesa do chefe do Exército, Rovisco Duarte, que exonerou cinco generais depois do roubo de armamento e tem sido alvo de contestação dentro do ramo, com a demissão voluntária de mais generais.

A palavra do Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas é para mim palavra sagrada e não ponho em causa"

Antes, e em resposta a Assunção Cristas, António Costa defendeu também que tem de haver "respeito pelas instituições" para além do debate político.

Forças Armadas é tema sério e não pode ser tema de arremesso político. (...)  E mais: é muito triste ver uma oposição que nada tem a dizer sobre a ação do governo nem sobre os resultados do sucesso da ação do Governo, para ter de descer ao nível de por em causa os agentes da Proteção Civil [a propósito de Pedrógão Grande] e das Forças Armadas".

"Afinal era tudo sucata", ironiza Cristas

A líder do CDS-PP tinha acusado o Governo do "falhanço mais básico do Estado", com os dois casos Tancos e Pedrógão. "O inimaginável aconteceu, pôs a nu falha gravíssima do Estado na proteção dos cidadãos. Vimos uma total descoordenação e um Governo inapto".

Afinal tudo era sucata, afinal não havia problema de maior em Tancos. Pela sua lógica daqui a pouco até estamos a agradecer material roubado, que assim não temos custo de o desmantelar. Ou sabia ou não sabia, está a montar uma narrativa para [esconder uma] falha grave".

Isto porque o primeiro-ministro acabou ontem por desmentir o seu ministro da Defesa, que tinha dito que o roubo de Tancos era muito grave. O desmentido surgiu ao António Costa garantir que, afinal, o material militar roubado não põe em risco a segurança do país.

A "tática" de Costa

Cristas ainda fez estas perguntas: "Garante-nos que as armas não podem ir parar a redes criminosas? Não há potencial de morte e destruição em Portugal e fora com estas armas, este roubo de sucata?". Não recebeu respostas diretas do primeiro-ministro.

Uma ministra absolutamente incapaz de autoridade, de gerar confiança, um primeiro-ministro a desautorizar ministra em quem diz ter confiança política. A inação e ligeireza do ministro da Defesa Nacional e testemunhámos a ausência política do PM. Percebemos a sua tática: vimos no Orçamento do Estado e agora, quando não interessa, desaparece de circulação, não usa a palavra, não dá a cara. Acha que basta mergulhar e esperar que a onda má passe e depois possa surfar uma qualquer onda boa", disse ainda Cristas.

Cristas voltou a pedir a demissão de Constança Urbano de Sousa e de Azeredo Lopes, mas recebeu um não de António Costa. "Obviamente não demito nenhum ministro", assegurou. Vai haver remodelação do Governo, que será apresentada amanhã ao Presidente da República, mas ao nível das secretarias de Estado.

A líder do CDS-PP acusou o Governo de ter feito cativações orçamentais precisamente na defesa e também noutros setores. Costa recusou, bem como que haja falta de transparência.

Chamo a atenção que em matéria de soberania, o exercício do Governo de V. Excelência quebra de 16% na defesa e de 31% na Proteção Civil, o nosso é inversão destes cortes".

BE, PCP e Verdes têm como alvo a direita

Antes, a líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, também atirou culpas ao anterior Governo sobre o atual estado de coisas.

[Tancos foi um incidente grave, que teve uma consequência imediata: a Direita que falava em gorduras do Estado insurge-se agora". 

Depois, também o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, invocou as "falhas da política de Direita". 

Sabemos bem que as consequências de décadas dessa política não se apagam de um dia para o outro."

Do partido ecológico "Os Verdes",  Heloísa Apolónia quis lembrar Assunção Cristas do Governo que integrou, agora que a líder do CDS condena o "falhanço" do atual executivo no incêndio em Pedrógão Grande.

Não nos vamos esquecer de quem é que avançou para que o eucalipto proliferasse mais pelo país."