O PCP recusou hoje a «chantagem» do Governo em torno da sustentabilidade da segurança social, considerando que o que está em causa é a tentativa de institucionalizar baixos valores de reformas.

«Três anos passados sobre o pacto de agressão confirma-se que as promessas de caráter excecional das chamas políticas de austeridade foram um logro. Como um logro têm sido as recorrentes promessas em torno da defesa da sustentabilidade financeira da segurança social», afirmou Fernanda Mateus, membro da Comissão Política do Comité Central do PCP, numa declaração na sede do partido, em Lisboa.

Recusando o «processo de mistificação e chantagem» que o Governo tem vindo a fazer em torno da «alegada insustentabilidade da segurança social», Fernanda Mateus vincou que o objetivo do executivo de maioria PSD/CDS-PP tem sido «institucionalizar baixos valores de reformas pagas pelo sistema público, destruindo a relação existente entre o valor do salário, a base de incidência dos descontos e a carreira contributiva dos trabalhadores».

«A redução do nível de receitas do regime providencial dos trabalhadores é consequência não das despesas com proteção social mas do definhamento económico, da destruição do emprego, da redução dos salários e dos respetivos descontos, da generalização da precariedade social», sublinhou.

Questionada sobre a manchete do semanário Sol, que noticia que «Guterres avança mesmo» para as eleições presidenciais de 2016, dizendo que o antigo primeiro-ministro já comunicou a sua decisão a várias figuras do PS, incluindo António José Seguro, António Costa e José Sócrates, Fernanda Mateus escusou-se a fazer comentários alegando que se estão a fazer »especulações que não têm qualquer sentido e estão completamente ao lado daquilo que preocupa os portugueses».

Segundo o Sol, a candidatura a Belém de António Guterres deverá ser formalizada em maio ou junho, quando terminar o seu mandato no Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).