O líder dos socialistas no Parlamento Europeu considera que as políticas de austeridade europeias «foram demasiado longe no corte de despesas sociais» e que Portugal estaria melhor se tivesse mais tempo para aplicar reformas e «readaptar» a economia.

Hannes Swoboda defendeu em declarações à Lusa que o programa de austeridade aplicado a Portugal «não funcionou para quem precisa, que são os desempregados».

«O desemprego, por exemplo, continua elevadíssimo, não há uma verdadeira mudança. A principal doença de Portugal continua a existir», afirma o social-democrata austríaco, que após as eleições europeias do fim de maio abandonará as funções de eurodeputado.

Swoboda reconhece que o programa alcançou «resultados financeiros», mas que existe um desequilíbrio «do ponto de vista social» e que «falta uma resposta desse lado, passa-se o mesmo em Portugal, na Grécia ou em Itália, do que precisamos agora é de uma política económica virada para o investimento».

Questionado sobre o equilíbrio entre as duas maiores forças políticas europeias nas sondagens, o Partido Popular Europeu (PPE) e o Partido Socialista Europeu (PSE), o austríaco antecipa que o centro-direita «vai perder imensos eurodeputados», embora reconheça que os socialistas podem não alcançar o resultado que desejam.

«Não é fácil tornar as diferenças e as alternativas, obviamente que teremos de continuar uma linha de poupança, são necessárias reformas, mas há muitas reformas feitas de maneira errada, demasiados cortes nas despesas sociais, que foram demasiado fundo por exemplo nas pensões dos cidadãos», declarou, aludindo aos chumbos do Tribunal Constitucional português.

Hannes Swoboda salientou ainda que há vários estudos macroeconómicos que demonstram que se as medidas de austeridade e ajustamento da economia fossem aplicadas com outro ritmo e combinação, «teríamos os mesmos resultados e uma diminuição da dívida, mas com muito menos desemprego».

O líder parlamentar dos socialistas e democratas no Parlamento Europeu afirmou também que «as famílias políticas conservadoras» devem deixar de fomentar «um discurso de preconceito entre o norte e o sul da Europa».

«As clivagens entre países não ajudam em nada e influenciam negativamente a opinião pública», disse.

O político austríaco insurgiu-se ainda contra a ideia de que o Conselho Europeu (chefes de Estado e de Governo) possa vir a escolher um presidente para a Comissão Europeia que não seja um dos cinco candidatos atualmente na corrida.

«Do ponto de vista democrático, não podemos ter candidatos e nenhum ser o escolhido. Isto é gozar com a democracia e não estamos a falar apenas de um texto legal [do Tratado de Lisboa], é sobre o espírito do texto, do espírito da União Europeia e do espírito da democracia que estamos a falar», sustentou.

O eurodeputado defendeu que o Parlamento Europeu acabará por encontrar uma solução.

«Deixem-nos negociar, encontraremos uma solução no Parlamento, deixem o Parlamento encontrar uma solução, apresentaremos uma proposta e aí o Conselho pode fazer a sua avaliação», concluiu.