O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, garantiu esta quarta-feira que não foi por falta de dinheiro que os hospitais evidenciaram menos recursos médicos, afirmando que nunca foi transferido tanto financiamento para o Serviço Nacional de Saúde.

No discurso de inauguração do centro médico especializado no tratamento e diagnóstico em Oncologia «Lenitudes - Medical Center & Research», em Santa Maria da Feira, o primeiro-ministro considerou que não há nenhuma evidência no raciocínio de que a crise «representou um desinvestimento grande na área da saúde, que motiva hoje os problemas que têm aparecido, nomeadamente em serviços de urgência».

«Nós temos dificuldade em termos dos recursos humanos de que necessitamos, isso é verdade, nomeadamente na área médica, não temos os médicos de que precisamos, mas não é por falta de dinheiro. Que fique bem registado: não é por falta de dinheiro nem foi por falta de dinheiro que os hospitais evidenciaram, num ou noutro caso, menos recursos médicos que aqueles que eram necessários», enfatizou.

Passos Coelho deixou uma garantia: «transferimos para a saúde e para o Serviço Nacional de Saúde o financiamento que nunca foi transferido em Portugal em todos os anos de democracia de que tenho memória».

Para resolver o problema da falta de médicos, o primeiro-ministro defendeu que é necessário atuar sobre a causa e «formar mais médicos do que aquilo que tem sido habitual no país».

«Talvez aqui haja uma oportunidade, também ao nível da formação, para que o investimento privado se possa fazer. Não há nenhuma razão para que não exista formação privada na área dos cursos de medicina. O Estado não tem que deter o monopólio nessa matéria», defendeu.

Segundo o primeiro-ministro, foi ainda feita pelo Governo a requalificação de muitas urgências e investimento em novos equipamentos, tendo sido possível, "paulatinamente, transferir também recursos que se destinam não apenas a novo investimento, mas também a saldar contas antigas que estavam por pagar".

«Temos hoje em termos de saldo líquido um maior número de médicos do que tínhamos em 2010. Temos mais camas disponíveis, tratamos mais doentes, há mais atos médicos que são produzidos no SNS, há mais pessoas que estão a ser tratadas», enumerou ainda.

Passos Coelho afirmou, por isso, que o Governo tem «procurado investir, quer em quantidade, quer em qualidade, de maneira a poder dar mais robustez ao SNS e uma relação leal com todos aqueles que na área privada têm investido na área da saúde».