A Comissão Parlamentar de Defesa Nacional (CDN) vai ouvir os responsáveis pelos Serviços de Informação da República Portuguesa (SIRP), tendo em conta os atentados terroristas de Paris, sem prejuízo das tradicionais audições às chefias militares lusas.

Na segunda reunião ordinária dos trabalhos, agora liderados pelo social-democrata Marco António Costa, foi consensual entre as diversas bancadas parlamentares a necessidade de ouvir aquele setor sobre os recentes acontecimentos em França e na Bélgica, entre outros locais, onde se sucederam operações antiterroristas após as 132 vítimas mortais e 352 feridos provocados na capital francesa, nos ataques de sexta-feira.

Por norma, a CDN, no início das legislaturas ouve em primeira instância o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas e os restantes líderes dos três ramos militares, seguindo-se o ministro da Defesa Nacional.

Marco António Costa defendeu a realização de reuniões extraordinárias, previsivelmente às quartas-feiras, após a reunião ordinária de terça-feira, para acolher a sugestão de audição às "secretas" por parte do socialista João Soares, mantendo a "tradição" de ouvir primeiro os chefes militares, "até por questões de não-alarmismo da população", por proposta do democrata-cristão João Rebelo.

Um grupo de trabalho ficou de sintetizar as sugestões de alteração ao regulamento de funcionamento e ao plano de atividades da CDN, e outros pormenores, prevendo-se nova reunião para a próxima terça-feira, pelas 15:30, de acordo com a Lusa.

A CDN vai coordenar-se com as restantes comissões parlamentares, nomeadamente a 1.ª (Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias), a fim de não duplicar audiências em comum, por exemplo com os responsáveis pelas "secretas".

Além do plano de atividades, que contempla visitas internas e externas dos deputados, seja a unidades militares e outros locais, seja aos efetivos portugueses a operar no estrangeiro ou outras deslocações oficiais, também ficou de ser apreciada a possibilidade de as reuniões da CDN serem efetuadas com maior reserva face à Comunicação Social, como defende João Soares, ou se aquela decisão poderá ser tomada caso a caso, conforme previamente combinado, em virtude da ordem de trabalhos.