O líder da JSD e recandidato ao cargo, Simão Ribeiro, promete um "combate acérrimo" à visão política do Governo socialista, que acusa de retrocesso na juventude, esperando que a estrutura seja uma alavanca do PSD nas próximas autárquicas.

A Juventude Social Democrata (JSD) realiza a partir de sexta-feira e até domingo, na Batalha, distrito de Leiria, o 24.º Congresso Nacional, no qual serão eleitos os novos órgãos nacionais da estrutura partidária, sendo o único candidato à liderança o atual presidente Simão Ribeiro.

Em declarações à agência Lusa, o recandidato a líder da JSD antecipou as linhas principais da Moção de Estratégia Global que leva ao congresso, intitulada "Direito ao Futuro", acusando o atual Governo socialista de ter matado "por completo o bom trabalho que tinha vindo a ser feito na área da Juventude em Portugal".

"Fazer um combate acérrimo e assertivo àquilo que tem sido a visão política que este Governo tem para o país, entendendo a JSD que há necessidade de termos um novo rumo na liderança deste Governo que, sob o ponto de vista constitucional e legal tem toda a legitimidade, mas sob o ponto de vista político continuamos a achar que não tem legitimidade", prometeu.

Ao "bom estilo da JSD", Simão Ribeiro diz que não vai ser adotada "apenas a crítica fácil", mas serão "sempre apresentadas propostas alternativas e concretas a tudo aquilo de que a JSD vai discordar".

"Vamos encarar como um grande desafio para futuro as próximas eleições autárquicas e desejo que a JSD tenha um papel bastante ativo naquilo que será a definição da política autárquica do próprio partido e naquilo que será a integração de gente com qualidade da JSD nas várias autarquias do país", disse ainda.

O também deputado do PSD não quer "nem quotas nem percentagens mínimas" de elementos da estrutura partidárias nas listas, mas defende que a "JSD seja uma alavanca importante e fundamental do PSD nestas próximas eleições autárquicas de 2017".

Na moção, Simão Ribeiro destaca "a mobilidade social enquanto vetor transversal" e diz que "a mudança de Governo em Portugal foi um duro revés" na "visão corajosa sobre as políticas sustentáveis e de futuro" que o anterior executivo liderado pelo PSD/CDS desenvolveu.

"Enquanto se governar apenas pensando no voto dos eleitores, nenhuma mudança acontecerá em Portugal. Nada mudará para os jovens, para os imigrantes, para os pobres, para os ausentes, para os doentes e para todos aqueles cuja única esperança é chegar a sua vez de ter ‘direitos adquiridos'. Rejeitamos o imobilismo social em que o país parece viver", criticou.

Simão Ribeiro dedica ainda parte da sua moção à necessidade de melhorar a qualidade da Educação, Ensino Superior e Ciência para fomentar a mobilidade social.

Introduzir a obrigatoriedade da frequência do ensino pré-primário a partir dos 5 anos e a gratuitidade do ensino pré-escolar a partir dos 2 anos, para além da inclusão da disciplina de Cidadania e Política no currículo do ensino básico e secundário são algumas das propostas da estrutura partidária.

Em termos de ensino profissional, o líder da JSD considera que "urge reforçar a formação técnica e profissional, com especial atenção à valorização das competências tecnológicas nas áreas ditas tradicionais".

Já no ensino superior, Simão Ribeiro quer "concretizar a reestruturação da rede", avançando para um "sistema que promova a cooperação ou mesmo a integração de instituições de ensino superior com proximidade geográfica, mantendo significativos níveis de autonomia".