O líder parlamentar do PS afastou esta quinta-feira, em absoluto, contribuir para os dois terços necessários à eleição ainda na presente legislatura do sucessor de Silva Peneda na presidência do Conselho Económico e Social (CES).

Ferro Rodrigues falava aos jornalistas no final da reunião semanal da bancada socialista, depois de ser confrontado com o apoio dado pelo secretário-geral da UGT, Carlos Silva, a uma candidatura à liderança do CES protagonizada pelo seu antecessor na central sindical, João Proença, que foi membro do Secretariado Nacional do PS sob a liderança de António José Seguro.

«Desconhecemos em absoluto. Neste momento não há nomes em cima da mesa para nada, porque a posição do PS, que foi aqui hoje uma vez mais reafirmada, é que a eleição do presidente do CES, que é uma eleição por dois terços, deve ser feita no princípio e não no fim das legislaturas».


O presidente do Grupo Parlamentar do PS referiu então que a legislatura está a três meses do seu fim e defendeu que, por essa mesma razão, «seria um total absurdo estar com esta maioria [PSD/CDS], que é conjuntural, a criar condições para uma eleição por dois terços».

«Portanto, não contarão com a nossa complacência se avançarem com esse processo» de tentativa de eleição de um novo presidente do CES, avisou o líder da bancada socialista, num recado dirigido ao PSD e CDS.

Confrontado com o apelo da presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, no sentido de que o parlamento encontre rapidamente um nome para suceder a Silva Peneda no cargo de presidente do CES, Ferro Rodrigues respondeu: «Como é natural, a senhora presidente da Assembleia da República gosta que as coisas sejam resolvidas com rapidez».

«Mas, para o PS, antes da rapidez, está o respeito pelas normas fundamentais de funcionamento da Assembleia da República e pelas razões fundamentais que levam a maiorias de dois terços. Independentemente do respeito que temos pela presidente da Assembleia da República, mantemos a nossa posição»


Sobre a posição da maioria PSD/CDS, Ferro Rodrigues afirmou supor que os dois partidos ainda tentarão fazer um contacto com o PS em matéria de processo para a escolha imediata de um novo presidente do CES.

«Não houve posições expressas por outros partidos na reunião [da conferência de líderes] e o PS espera que o bom senso possa prevalecer, porque qualquer pessoa compreende que não é no final de uma legislatura que se criam condições para uma eleição de uma importância muito grande. O presidente do CES preside não apenas à concertação social, mas a todos os pareceres que têm a ver com orçamentos ou documentos fundamentais da vida do país. Portanto, não é com uma maioria em final de jogo que isso deve ser feito», insistiu Ferro Rodrigues.

Para o PS, após a saída de Silva Peneda para o cargo de adjunto do presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, o CES deve escolher entre os membros do seu Conselho Coordenador um presidente provisório com mandato até ao início da próxima legislatura.

Perante os jornalistas, na sua declaração inicial, Ferro Rodrigues defendeu que a sua bancada tem possuído iniciativa política, tendo ainda na quarta-feira agendado dois debates de urgência sobre a situação nas instituições de proteção de crianças e jovens em risco e sobre a situação laboral (na véspera do 1º de Maio). «A crítica ao Governo e a apresentação de alternativas são aquilo que nos move e que nos mobiliza», disse.