O porta-voz do PS, João Galamba, exigiu esta quinta-feira ao PSD serenidade, contenção e pudor sobre o setor financeiro, acusando os sociais-democratas de transformarem o atual Governo na causa dos problemas que o anterior Executivo criou.

Numa declaração aos jornalistas, no Parlamento, o porta-voz socialista argumentou que nas últimas semanas o PSD, nomeadamente o presidente do partido e ex-primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e a ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque, têm tentado "transformar um Governo que herdou um problema por resolver e que lhe está a tentar dar resposta na causa do problema".

João Galamba considerou que na quarta-feira se verificou a "declaração mais despudorada de todas, em que Pedro Passos Coelho diz mesmo que o PS rebenta com bancos e depois culpa Passos Coelho e Maria Luís", referindo-se a um relato da intervenção do presidente do PSD perante o Conselho Nacional do partido noticiado pelo Diário de Notícias.

"Ninguém rebentou com bancos, nem o próprio PSD, no entanto, havia um problema sério no setor financeiro que devia ter sido resolvido durante o programa de ajustamento e não foi", afirmou.

Para João Galamba, "era bom que o PSD, nomeadamente o seu presidente, e a ex-ministra das Finanças, tivessem algum pudor, reconhecessem as suas próprias responsabilidades neste problema e não tentassem perturbar a atividade de quem, de facto, está a resolver o problema que eles próprios não resolveram".

"É do interesse nacional que isso seja feito e pedia-se alguma contenção ao PSD porque se não lhes fica bem não assumir aquilo que não fizeram ou fizeram mal, fica-lhes ainda pior tentar perturbar a atividade do Governo atual que está a tentar resolver os problemas que eles não resolveram", declarou.

"Esperava-se alguma serenidade da parte de todos os partidos para que deixassem Governo tratar de uma situação que é complexa e carece de resolução urgente", insistiu.

O porta-voz do PS insistiu na ideia de que "os portugueses sabem que os problemas no setor financeiro que existem e têm de ser resolvidos não foram criados por este Governo, foram herdados por este Governo", apontando o Banif, a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e a venda do Novo Banco.

"Esse problema não só não foi resolvido como se agravou. Tem sido referido em múltiplos relatórios internacionais, é reconhecido pelo regulador, foi ainda hoje falado pelo presidente do BCE: Portugal tem um problema no crédito mal parado e no setor financeiro ao qual deve dar resposta", sustentou.

O presidente do PSD anteviu quarta-feira um cenário negro económico-social em Portugal, "muito antes das autárquicas" de 2017, ao fazer o balanço da primeira sessão legislativa do Governo PS, no Conselho Nacional do PSD.

"A conversa de que a austeridade acabou é mentirosa. A austeridade está cá toda", afirmou o ex-primeiro-ministro na reunião à porta fechada, num hotel lisboeta, segundo fonte oficial social-democrata, acrescentando que a realidade se irá impor "muito antes das autárquicas" (setembro/outubro de 2017) e os portugueses vão aperceber-se e "sentir".

Dedicando-se a temas como economia, sistema financeiro e Europa, Passos Coelho considerou lamentável a anunciada estratégia de rápido crescimento e criação de emprego e investimento do secretário-geral socialista, António Costa, atual chefe do executivo apoiado também por BE, PCP e PEV, "que está a sair ao contrário".