Vão ser três dias com os olhos postos no Partido Socialista. De sexta até domingo prometem-se grandes movimentações. Pegando no calendário, na sexta à noite, um grupo de socialistas ruma à Mealhada. A intenção não será só comer leitão. Trata-se do encontro da chamada “corrente de Assis”, militantes que pretendem formar uma corrente interna que contesta um Governo PS com o apoio de comunistas e bloquistas.

Francisco Assis em entrevista, hoje, na TVI e na TVI24

No sábado, ainda com o jantar presente, tem lugar a Comissão Nacional do PS, marcada já depois do jantar da “corrente Assis” e que obrigou este grupo a uma alteração de datas.

Um fim de semana recheado para os socialistas que, no domingo, vão ainda reunir-se em Comissão Política. António Costa convidou Francisco Assis para a reunião e este já aceitou estar presente. Os outros eurodeputados socialistas também foram convidados.

"Evidentemente que estarei presente" na Comissão Política Nacional do PS, afirmou à agência Lusa Francisco Assis.

Apesar de Francisco Assis não desempenhar qualquer lugar nos órgãos nacionais do PS na sequência do último congresso deste partido, a direção liderada por António Costa decidiu alargar aos seus eurodeputados o universo de participantes na reunião, que está marcada para a véspera do início do debate parlamentar do programa do XX Governo Constitucional.

Fonte ligada ao ex-líder parlamentar do PS referiu que a convocatória para a reunião da Comissão Política do PS chegou "uma hora depois" de Francisco Assis ter antecipado para sexta-feira à noite, na Mealhada, o encontro da sua corrente que se opõe à formação de um Governo socialista, tendo como suporte o apoio do Bloco de Esquerda, PCP e "Os Verdes".

No rescaldo de todos estes encontros de socialistas, em que uns estão a favor de uma aliança à esquerda e outros não, o programa do governo de coligação PSD/CDS discute-se a partir de segunda-feira no Parlamento. 
 

Marca, desmarca, remarca


Francisco Assis marcou uma sessão pública para esta sexta-feira, às 21:30 na Mealhada, depois do almoço de sábado ter sido cancelado. A informação foi avançada pelo jornal Público e confirmado pela TVI.

O eurodeputado socialista decidiu antecipar para sexta-feira à noite, também na Mealhada, o encontro de militantes que pretendem formar uma corrente interna de contestação a um Governo PS com suporte do PCP e BE. O encontro tinha sido desconvocado após o PS ter marcado a Comissão Nacional para sábado. 

Em comunicado divulgado na quarta-feira, Francisco Assis justificava o adiamento do encontro que juntaria na Mealhada militantes socialistas que se opõem à formação de uma "frente de esquerda", no sábado, ao almoço, por coincidir com a realização da Comissão Nacional do PS.

"Deseja-se que a reunião da Comissão Nacional decorra num ambiente favorável à livre e leal troca de pontos de vista e contraposição de opiniões. Vivemos um momento de extraordinária importância na vida do nosso partido, o que obriga a um especial cuidado na observância dos princípios fundamentais que nos norteiam".


No comunicado, Francisco Assis frisava que o PS, "pela sua natureza e pela sua história, é um partido profundamente livre, plural e democrático".

"Adiámos um encontro em nome do respeito por esses princípios. Pela mesma razão continuaremos a manifestar as convicções profundas que nos animam nas presentes circunstâncias históricas", acrescentou o ex-líder parlamentar do PS entre 1997 e 2001 e entre 2009 e 2011.

De acordo com membros desta tendência do PS - encabeçada por Francisco Assis - que se opõe à formação de um Governo de frente de esquerda, "estando cerca de quatro centenas de militantes já inscritos para o almoço de sábado", entretanto cancelado, importa aproveitar este movimento e a solução foi antecipar em um dia o encontro.

Por outro lado, consideram essencial haver uma reunião deste grupo, que defende que o PS deverá assumir-se como oposição responsável a um executivo PSD/CDS, para definir a posição a tomar nas reuniões da Comissão Nacional de sábado e da Comissão Política de domingo.

"As questões a colocar são essencialmente sobre as condições em que o PS pretende formar Governo depois de ter perdido as eleições e se vale a pena o PS ser Governo por um ano para depois passar dez anos na oposição", referiu à agência Lusa um ex-membro das direções lideradas por António José Seguro.

Na sequência do último congresso nacional do PS, em novembro do ano passado, Francisco Assis abandonou todos os órgãos partidários.