O dirigente socialista Sérgio Sousa Pinto considerou hoje «penosos» os argumentos «burocráticos» contra a realização de eleições «diretas» no PS e admitiu que os atuais estatutos foram aprovados em 2012 para se aplicarem às atuais circunstâncias.

Sérgio Sousa Pinto falava aos jornalistas poucos minutos após declarações em defesa da atual direção proferidas pelo presidente do Grupo Parlamentar do PS, Alberto Martins, advertindo que os estatutos socialistas são a Constituição do partido e que uma eventual candidatura à liderança do PS de António Costa terá de seguir as regras estatutárias.

«Isto não é uma questão pessoal, de simpatias, mas de política objetiva, porque o PS é um grande partido nacional e tem obrigações em relação ao país. São as questões políticas concretas, as perspetivas de poder mudar o país e de derrubar o Governo de direita que devem determinar os militantes do PS e não argumentos burocrático-formais de estatutos que foram criados com a finalidade de porventura serem exercidos nestas circunstâncias», contrapôs Sérgio Sousa Pinto.

O antigo líder da JS, apoiante de António Costa, disse estar a ouvir com «grande embaraço» posições contrárias à realização de eleições diretas para a escolha de um novo secretário-geral do PS com base em argumentos de ordem estatutária.

«Não podemos invocar argumentos burocráticos, que são argumentos penosos de ouvir, para tentar impedir o partido de estar à altura da sua responsabilidade no atual momento político do país. Isto não é uma questão pessoal, mas sim uma questão política. O PS tem de se tentar determinar por razões políticas, tem uma obrigação perante o país, tem de interpretar os sinais do eleitorado e tem de se reorganizar internamente por forma a travar esta política de direita», defendeu o deputado socialista.

Na perspetiva do presidente da Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros, «a modéstia dos resultados» obtidos no último domingo pelo seu partido «obriga o PS a desenterrar a cabeça da areia».

«A solução normal é ouvir os militantes, interpretar o sentimento do país e decidir de forma clara, no respeito mútuo de todos os camaradas, resolvendo a questão da liderança e a questão de orientação política do partido», afirmou, antes de fazer uma referência direta ao atual líder António José Seguro.

«O PS deve respeitar e reconhecer o esforço que foi feito ao longo dos últimos anos pelo seu secretário-geral no sentido de conduzir a oposição ao Governo em circunstâncias especialmente difíceis. Mas o PS, como partido que é, compete-lhe determinar-se politicamente e não deve nada a ninguém - só deve ao eleitorado e ao país», sustentou.

Nessas circunstâncias, acrescentou Sérgio Sousa Pinto, o PS «deve interpretar os resultados das últimas eleições no sentido de reconhecer que, com uma liderança protagonizada por António Costa, provavelmente, estará em melhores condições para fazer o que o país espera dele, que é interromper esta governação e mudar o rumo do país».

Interrogado sobre as divisões que se estão a criar na bancada socialista, Sérgio Sousa Pinto recusou-se a pronunciar-se sobre a questão específica do Grupo Parlamentar do PS.

«Calculo que existam diferentes opiniões no Grupo Parlamentar, porque o PS é um partido democrático e plural. O importante é que terá de haver um congresso para que o partido resolva da melhor maneira, sem pessoalizações, sem dramas excessivos e sem acrimónia, a questão da liderança - uma questão central não só para o PS, mas também, pelas circunstâncias que estamos a viver, para o país», argumentou.