O secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, defendeu hoje a necessidade urgente de se acabar com as fraudes nos transportes públicos e exortou o conselho de administração da Carris a tomar medidas.

Afirmando que, a pedido do Governo, a Autoridade Metropolitana de Transportes elaborou um relatório sobre as fraudes nas validações, o governante frisou que «não se pode ignorar as suas conclusões».

Sem avançar com dados concretos por ainda não ter feito chegar o relatório aos conselhos de administração das empresas de transporte público, Sérgio Monteiro frisou que «tem de se fazer alguma coisa, não só ao nível da cobrança - precisamos que quem é multado depois seja obrigado a pagar ¿ mas prevenir a montante».

«O ideal é que toda a gente que entre no transporte público faça a validação e dessa forma continue a contribuir para a consolidação das contas das empresas de transporte», disse o secretário de Estado no final da cerimónia de comemoração do 141º aniversário da Carris.

O governante indicou que aguarda agora que os conselhos de administração proponham medidas.

Sérgio Monteiro defendeu ainda que esta questão é também importante no que respeita à concessão das empresas porque o «nível de fraude nos privados é inferior ao dos públicos».

«Esse é um problema, temos de colocar condições de igualdade nos públicos e privados para que possam concorrer em condições de igualdade, senão os públicos estão sempre em desvantagem», afirmou.

Referindo-se à questão da concessão das empresas, Sérgio Monteiro assegurou que «só serão concessionadas a privados se os privados, em condições de igualdade, demonstrarem que gerem melhor do que as empresas manterem-se na esfera pública».

Na sua intervenção, o governante frisou que a Carris está em equilíbrio operacional, «saudável e pronta a enfrentar desafios» e apelou aos trabalhadores para refletirem antes de encetarem novas formas de luta.

«Chegaram ecos da vontade de fazerem manifestações antes da apresentação do Orçamento do Estado na Assembleia da República. Não vou dizer que não o façam porque, quando feitas com respeito, é uma forma salutar de estar em democracia. Mas fazê-lo na véspera de uma discussão tão importante não ajuda quem quer ajudar a que os valores [dos salários] se mantenham como agora», afirmou.