O secretário-geral do PS, António José Seguro, revelou esta segunda-feira que o partido vai votar a favor da moção de censura ao Governo anunciada pelo PCP, apesar de a ter considerado um «claro frete» ao executivo.

«Depois de haver uma censura que os portugueses expressaram ontem [domingo] através de uma votação, o PCP ir apresentar uma moção de censura que se sabe que está condenada ao fracasso, naturalmente que isso, na nossa opinião, é um claro frete ao Governo», sustentou o líder socialista numa entrevista exclusiva à TSF.

Seguro justificou, no entanto, o voto favorável do PS à iniciativa do PCP, anunciada no domingo pelo secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, com «uma questão de coerência».

«Se há um partido que toma a iniciativa de apresentar uma moção de censura ao Governo, depois do PS já ter censurado esse Governo, o PS não pode ser incoerente no seu sentido de voto», defendeu o secretário-geral dos socialistas.

Jerónimo de Sousa anunciou a apresentação de uma moção de censura ao Governo PSD/CDS-PP na Assembleia da República, após os resultados das eleições europeias, que considerou terem sido «uma censura do povo» ao executivo.

«O PCP anuncia hoje a decisão de apresentar moção de censura ao Governo», assumiu, no domingo, o líder comunista, no centro de trabalho Vitória, em Lisboa, adiantando terem sido consultados os restantes parceiros da Coligação Democrática Unitária - «Os Verdes» e a Associação Intervenção Democrática.

O texto da moção de censura deverá ser entregue «na próxima semana», disse ainda o secretário-geral do PCP.

O PS é o partido com mais mandatos nas eleições europeias de domingo depois de apurados os resultados em todas as 3.092 freguesias de Portugal e em 54 dos 71 consulados, segundo dados da Direção Geral de Administração Interna (DGAI).

Os resultados indicam sete deputados ( 31,45%) para o PS, seis (27,71%) para a Aliança Portugal (PSD/CDS-PP), dois (12,68%) para a CDU (PCP-PEV), um (7,15%) para o Partido da Terra (MPT) e outro (4,56%) para a Bloco de Esquerda, faltando atribuir quatro dos 21 mandatos de Portugal no Parlamento Europeu, que dependem dos resultados no estrangeiro.