O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, desafiou esta quarta-feira o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, a dizer aos lisboetas se se sente seguro «em certos bairros» da capital, «a certas horas».

¿Gostava que o dr. António Costa dissesse aos lisboetas a resposta a uma pergunta: se ele se sente seguro em Lisboa, em certos bairros, a certas horas¿, declarou Paulo Portas aos jornalistas, no final de um encontro com o comandante-geral da GNR no Quartel do Carmo.

Depois de ter feito esta declaração, Paulo Portas foi questionado pelos jornalistas sobre o almoço de hoje de António Costa com o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, em que desmentiram divergências e disseram ter o mesmo objectivo de reforçar a segurança em Lisboa.

O presidente do CDS-PP não quis fazer mais declarações sobre o assunto, apenas assinalou que considera ¿muito importante falar verdade nesta questão dos bairros problemáticos¿.

Antes, Paulo Portas referiu-se aos ¿últimos incidentes de segurança que se têm verificado¿, numa alusão aos desacatos ocorridos no domingo no bairro Portugal Novo, nas Olaias, alegadamente relacionados com a disputa de uma habitação.

O ex-ministro da Defesa Nacional apontou culpas aos ¿programas sociais que não funcionam¿ e que, no seu entender, deixam ¿demasiadas pessoas, demasiadas comunidades instaladas ou dependentes do rendimento mínimo, sem obrigação de procurar emprego ou de fazer uma tarefa¿ e sem terem de ¿pagar uma renda, nem sequer simbólica¿.

De acordo com Paulo Portas, isso acontece em alguns dos ¿cem bairros problemáticos identificados pela polícia¿, enquanto noutros ¿existem programas sociais que funcionam¿.

¿O CDS já há bastante tempo propôs que houvesse uma avaliação dos programas sociais que funcionam e daqueles que não funcionam nos bairros problemáticos que estão identificados¿, lembrou. ¿Essa proposta está feita e nós vamos agendá-la¿, adiantou.

Por outro lado, o presidente do CDS-PP defendeu ¿a chamada mediação policial¿ como forma de ¿identificar e evitar conflitos em bairros difíceis¿ e reiterou a necessidade de efectivos policiais nas ruas.

¿Nós já propusemos que a figura da mediação policial entrasse na política de segurança. Mais uma vez o Governo não fez caso¿, criticou.

Antes da reunião de hoje com o comando-geral da Guarda Nacional Republicana (GNR), Paulo Portas esteve reunido com a direcção-nacional da Polícia Judiciária (PJ). O presidente do CDS-PP disse que vai ainda reunir-se com a Polícia de Segurança Pública (PSP) e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).