Os dirigentes do PCP colocaram, esta sexta-feira, o respeito pelos princípios constitucionais acima da "desejável" ocupação de cargos internacionais por portugueses, referindo-se ao antigo primeiro-ministro António Guterres.

Em comunicado, os comunistas recordam o desempenho de Durão Barroso como presidente da Comissão Europeia, deixando uma crítica implícita ao mesmo.

"Face à iniciativa do Governo de apresentar a candidatura de António Guterres para o cargo de secretário-geral das Nações Unidas, o PCP quer salientar que a desejável presença de cidadãos portugueses em altos cargos públicos internacionais não pode ser desligada – como a realidade demonstrou com a presidência da Comissão Europeia - dos objetivos e projetos de intervenção que em concreto se propõem", lê-se.


O PCP defende o "necessário posicionamento quanto ao respeito pela Carta da Nações Unidas e pela afirmação do direito internacional, e por uma contribuição determinada em defesa da paz e da cooperação, pela promoção do desenvolvimento económico e social no respeito pelos direitos dos povos e da soberania e da independência dos Estados – ou seja dos princípios igualmente consagrados na Constituição República Portuguesa".

Num comunicado divulgado esta sexta-feira pelo ministério dos Negócios Estrangeiros, o Executivo anuncia que vai apresentar a candidatura do engenheiro António Guterres a secretário-geral das Nações Unidas.

"É nossa firme convicção que o engenheiro António Guterres é a personalidade com melhores condições para exercer esse mandato, correspondendo à necessidade de enfrentar os desafios que hoje se colocam à comunidade internacional", afirma a nota emitida pelo gabinete do ministro Augusto Santos Silva.

O Governo considera que a "longa experiência política" e "a forma exemplar" como o antigo primeiro-ministro socialista exerceu altos cargos internacionais "demonstram cabalmente os méritos desta candidatura, que o Governo entende constituir um imperativo, num tempo em que, mais do que em qualquer outro, o mundo se tem de mobilizar em torno da paz e do desenvolvimento".

António Guterres foi alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados durante dez anos, tendo terminado o mandato em final de 2015.