A deputada socialista Teresa Portugal anunciou esta quarta-feira que vai votar sexta-feira a favor dos projectos da oposição que propõem a suspensão das taxas moderadoras, dizendo fazê-lo «em nome da sua consciência e do Serviço Nacional de Saúde», noticia a Lusa.

«Eu vou votar pela suspensão das taxas moderadoras no contexto em que são colocadas: aplicadas ao internamento e à cirurgia», afirmou Teresa Portugal, em declarações aos jornalistas no Parlamento.

Questionada sobre os motivos por que votará contra a orientação da sua bancada, Teresa Portugal salientou que o faz «em nome do Serviço Nacional de Saúde, para honrar o dr. António Arnaut» e para «não ir contra a sua consciência».

Também a deputada independente eleita nas listas do PS Matilde Sousa Franco disse que deverá votar a favor dos projectos do PSD e CDS que defendem a suspensão das taxas moderadoras.

«As taxas nem são moderadoras nem vão financiar muito a saúde», justificou.

Já a deputada socialista Júlia Caré disse que irá votar a favor do projecto do Bloco de Esquerda, estando ainda a ponderar o sentido de voto no projecto do CDS.

«Tenho dificuldade em compreender que haja taxas nos internamentos e cirurgias porque são decisões que não dependem do desejo do doente», afirmou.

Depois de ter estado marcada para 19 de Fevereiro, a votação dos projectos da oposição sobre taxas moderadoras - isenção total de taxas moderadoras nas cirurgias de ambulatório (CDS-PP e PSD) e revogação das taxas moderadoras (Bloco de Esquerda e PCP) - ficou marcada para a próxima sexta-feira.

Maioria absoluta socialista pode encurtar-se

Se Manuel Alegre e Eugénia Alho se juntarem a estes votos dissonantes na bancada do PS, a maioria absoluta socialista pode encurtar-se de 121 para 116 deputados, num total de 230.

Idêntico cenário enfrentou a maioria do PS no mês passado em relação um projecto de lei do CDS-PP que pretendeu suspender o modelo de avaliação dos professores.

Nessa altura, perante a possibilidade de o diploma do CDS-PP passar, o presidente do Grupo Parlamentar do PS, Alberto Martins, admitiu abandonar o cargo se isso acontecesse.

Também o Governo, sobretudo por via do ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, adiantou que o Governo retiraria todas as consequências se a Assembleia da República deixasse de apoiar «uma das reformas mais emblemáticas» do executivo.

Na última reunião da bancada do PS, a 19 de Fevereiro, o líder parlamentar Alberto Martins admitiu a necessidade de um «aprofundamento» na questão das taxas moderadoras, apesar de classificar os diplomas da oposição para a sua revogação como medidas políticas para criar dificuldades ao Governo.