O ministro da Saúde negou esta quinta-feira, aos deputados presentes no debate sobre Saúde que decorre no Parlamento, a existência de qualquer cisma com as Finanças e, perante as acusações da oposição neste sentido, garantiu: “Somos todos Centeno”.

Adalberto Campos Fernandes falava na Assembleia da República durante um debate com caráter de urgência sobre o estado da Saúde, solicitado pelo PSD, em resposta à deputada Galriça Neto (CDS), para quem “só falta mesmo é um grupo de trabalho para apoiar os grupos de trabalho que o ministro da Saúde vai criando”.

Para o ministro da Saúde, Galriça Neto limita-se a fazer um “exercício de contorcionismo político de falta de verdade”.

Não vale a pena ir pelo caminho de que existirá um grande cisma no Governo entre o ministro da Saúde e o ministro das Finanças. Esse é um caminho errado e completamente esgotado”.

E para reforçar a ideia, o ministro afirmou: “Em matéria de rigor orçamental, de crescimento e de sucesso das contas públicas, eu diria mesmo que no Governo somos todos Centeno".

Para o ministro da Saúde, a estratégia do Governo, com Mário Centeno como ministro das Finanças, contribuiu para a consolidação das contas públicas e para a credibilidade externa de Portugal.

O discurso de que não havia alternativa morreu. Por isso, há tanta desorientação nas bancadas da oposição", declarou.

Em reação às críticas do CDS-PP, em particular, o ministro da Saúde referiu-se à participação dos democratas-cristãos no anterior executivo liderado por Pedro Passos Coelho.

"Não há memória para tanta falta de memória", disse Adalberto Campos Fernandes, dirigindo-se então à bancada do CDS-PP.

As referências elogiosas de Adalberto Campos Fernandes a Mário Centeno não ficaram sem resposta da parte do PSD.

A deputada social-democrata Fátima Ramos (PSD) aproveitou a ideia e, no final de um rol de críticas em que enumerou uma série de faltas nas unidades de Saúde, apelou a Adalberto Campos Fernandes: “Não seja Centeno. Olhe para as pessoas”.

Ao longo do debate, têm sido várias as insinuações à alegada dependência da Saúde em relação às Finanças, com o PS, através do deputado António Sales, a assumir a defesa do Governo e a acusar a oposição de insistir num “exercício estéril que nada acrescenta à Saúde”.

O deputado do PSD Adão e Silva acusou o ministro de ser uma “flor de lapela” do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que está “reduzido a um mero protetorado do imperador Centeno”.

"O ministro das Finanças é que decide que os concursos para médicos, tão urgentes, devem ser adiados”, e que “determina a quem e quando os hospitais podem pagar as dívidas” e “autoriza a compra de equipamentos médicos e as obras de melhoria ou de ampliação dos hospitais e dos centros de saúde”, disse.

Para Adão e Silva, Adalberto Campos Fernandes “é cada vez mais a ‘flor da lapela’ do SNS, reduzido a um mero protetorado do imperador Centeno que, sem tino, põe e dispõe sobre quem deve e quem não deve ter acesso a cuidados de saúde com equipamentos modernos, em espaços adequados e profissionais motivados”.

A esta intervenção, o ministro da Saúde chamou de “puro exercício de retórica” e recordou “o estado em que se encontrava o SNS quando o atual Governo assumiu funções”.

O SNS está hoje melhor”, garantiu Adalberto Campos Fernandes, citando estudos que apontam para indicadores positivos no setor.

A primeira intervenção de Moisés Ferreira (BE) foi um recado para os sociais democratas: “Houvesse um pingo de vergonha na bancada do PSD e poupar-nos-ia a este espetáculo”.

A afirmação motivou vários apupos da bancada social-democrata, aos quais Moisés Ferreira respondeu, afirmando que “a verdade incomoda”.

O Parlamento está esta quinta-feira de manhã a analisar a situação da Saúde em Portugal, num debate solicitado com urgência pelo PSD.