O Governo português considerou hoje que o ex-Presidente de Israel Shimon Peres será recordado "pelo seu compromisso com a paz no Médio Oriente, construída numa solução política e histórica duradoura", que é a coexistência dos Estados israelita e palestiniano.

O Nobel da Paz Shimon Peres, que morreu hoje aos 93 anos, "vai ser recordado pelo seu compromisso com a paz no Médio Oriente, construída numa solução política e histórica duradoura", disse à Lusa o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, que transmitiu "as mais sentidas condolências" ao povo, ao Governo e ao Presidente israelitas.

O chefe da diplomacia portuguesa disse esperar que "o choque" causado pelo desaparecimento do antigo líder israelita "possa ser uma chamada de atenção para todos e para as responsabilidades de todos na construção do diálogo político necessário para que a solução dos dois Estados possa ser finalmente implantada".

Shimon Peres, destacou Santos Silva, "foi um dos que mais bem percebeu que a segurança de Israel estava e está indissoluvelmente ligada ao diálogo com os palestinianos e à construção de uma solução política duradoura para o conflito".

O governante português apontou que "a única solução viável e legítima é a dos dois Estados independentes, Israel e Palestina, vivendo lado a lado e coexistindo pacificamente".

Todos sabemos que o confito israelo-palestiniano é uma das raízes das tensões mais gerais no Médio Oriente e todos sabemos que esse conflito pode e deve ser resolvido numa solução que todos sabemos qual é", defendeu.

Santos Silva anunciou que representará Portugal no funeral de Shimon Peres, esta sexta-feira, em Jerusalém.

 

Marcelo recebe notícia da morte com "enorme tristeza"

Também o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lembrou Shimon Peres como uma grande figura mundial de paz, de fraternidade e de solidariedade, sublinhando a importância do seu exemplo notável não ser esquecido.

A paz deve-lhe muito, como foi reconhecido pelo Prémio Nobel e é com muita pena que vemos desaparecer uma figura de paz, de fraternidade, de solidariedade, de criação de condições para aquela área que tanto tem sofrido a guerra, a incompreensão, o afrontamento", afirmou o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações aos jornalistas à saída do Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações, que decorre em Lisboa.

Fazendo votos para que "o exemplo notável e que apela muito no coração de todos os que amam a paz em todo o mundo" possa servir de inspiração, o Presidente da República considerou Shimon Peres como "uma grande figura não apenas nacional, mas mundial".

Marcelo Rebelo de Sousa recordou ainda que o antigo Presidente de Israel tinha sido convidado a deslocar-se a Portugal e que a visita deveria realizar-se dentro de um mês.

Mas, infelizmente não vai acontecer", lamentou.

O Presidente da República acrescentou ainda que já apresentou os sentimentos à família de Shimon Peres e ao povo israelita.

 

Ferro Rodrigues expressa profundo pesar 

Por sua vez, o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, transmitiu ao titular do parlamento de Israel, Yuli-Yoel Edelstein, profunda consternação e pesar pela morte de Shimon Peres.

Neste momento de luto do Knesset de Israel e de todo o povo israelita, transmito a vossa excelência, em meu nome e em nome da Assembleia da República, a manifestação do nosso sentido pesar", escreveu Ferro Rodrigues, numa carta dirigida ao presidente do Knesset, o parlamento israelita.

O ex-presidente de Israel e Nobel da Paz Shimon Peres morreu hoje, por volta das 03:00 (01:00 em Lisboa). Shimon Peres sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) a 13 de setembro e encontrava-se hospitalizado desde então.

Na carta, divulgada à Lusa, Ferro Rodrigues lembrou o "papel de enorme relevância" que teve Shimon Peres na construção do Estado de Israel e lamentou a "grande perda" para todos os que "acreditam ser possível uma solução de paz entre os dois Estados e entre israelitas e palestinianos".

O nome do presidente Shimon Peres estava há muito inscrito na História, pelo notável contributo que deu para uma coexistência pacífica dos Estados de Israel e da Palestina e pela defesa de uma solução política justa entre os dois povos", refere Ferro Rodrigues.

Peres era o último sobrevivente da geração dos "pais fundadores" de Israel e foi um dos principais artesãos dos acordos de Oslo, assinados com os palestinianos em 1993, o que lhe valeu a atribuição do Nobel da Paz em 1994.

Shimon Peres ocupou quase todos os mais importantes cargos políticos em Israel - ministro de várias pastas em vários governos, primeiro-ministro interino, primeiro-ministro e presidente (2007-2014).