O candidato à liderança do PSD Pedro Santana Lopes apelou a uma grande participação dos militantes nas eleições internas e afirmou que o seu desejo é ganhar as próximas legislativas, se possível com maioria absoluta.

Quero acima de tudo apelar aos militantes do PPD/PSD para que participem em massa nestas eleições, faça sol ou faça chuva, e deem ao país uma grande prova de força e um grande sinal de vitalidade”, afirmou, pouco depois de exercer o seu direito de voto nas eleições diretas para a escolha do presidente do PSD, cerca das 14:40.

Questionado se está confiante nos resultados, Santana Lopes respondeu afirmativamente, mas disse que, em dia de eleições, prefere afirmar-se “confiante no futuro do partido para as grandes batalhas dos próximos dois anos”.

Confrontado com as palavras proferidas, poucos minutos antes, pelo ainda presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, de que o partido terá de ter um resultado significativo se quiser voltar ao poder, Santana Lopes disse estar consciente dessa “grande responsabilidade”.

Não há duas sem três, espero que o PPD/PSD vá para a terceira vitória consecutiva em legislativas, espero que a próxima seja com maioria absoluta”, desejou.

Pedro Santana Lopes

Santana Lopes cruzou-se com Passos Coelho, que votou cerca de 10 minutos antes num hotel em Lisboa onde estão instaladas as secções de voto da capital, e os dois cumprimentaram-se amigavelmente.

Questionado se, se vencer, conta com o seu adversário nestas eleições, Rui Rio, Santana disse contar “com todos”.

A minha tarefa a partir de logo à noite é unir, para depois ganharmos os combates externos (…) Ficaria muito contente se hoje houver uma grande percentagem dos inscritos a votar”, afirmou, reiterando o seu apelo à participação.

"Esta disputa ajudou a revitalizar o partido"

O candidato à liderança do PSD Rui Rio afirmou hoje que as eleições internas no partido não se tratam de uma questão “de vida ou de morte”, mostrando-se “confiante” na vitória.

Ganhar não é uma questão “de vida ou de morte, um ganha, outro perde, o PSD continua, a vida continua”, disse, acrescentando que certo é que, após estas eleições, o PSD “está em condições de se relançar de uma forma muito melhor da que estava há dois ou três meses”.

Falando aos jornalistas na sede da distrital do PSD/Porto, onde votou cerca das 16:35, Rio sustentou que esta disputa à liderança do partido com Pedro Santana Lopes “ajudou a revitalizar o partido” e “isso é importante”.

O ex-presidente da Câmara do Porto destacou também a afluência às urnas, afirmando que “muita afluência é bom” e vem ao encontro da sua ideia de que “o partido está mais mobilizado”.

Para Rio, as eleições diretas “são positivas” e é a participação dos militantes “que dá vida ao partido”.

Rio garantiu ainda que, quer perca ou ganhe as eleições, o seu relacionamento com o seu adversário, Pedro Santana Lopes, não mudará, porque “o relacionamento do passado é igual ao de hoje”.

E espero que entre os apoiantes também seja a mesma coisa”, disse, acrescentando: “Fizemos o que estava ao nosso alcance, justamente para não se abrirem feridas”.

Rio afirmou ainda que, caso saia derrotado, o PSD poderá contar sempre consigo, “como sempre contou, [porque] as eleições são democráticas” e aceitará “qualquer resultado”.

“Saio de bem comigo e com os outros”

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, espera que o próximo líder do partido possa ganhar as eleições legislativas e possa governar, salientando que para tal terá de ter “o apoio significativo” dos portugueses.

“Eu ganhei eleições e não pude governar”, recordou, depois de exercer o seu direito de voto nas eleições diretas para a escolha do seu sucessor.

Sobre o seu futuro, garantiu que não estará na primeira linha de atividade partidária, mas assegurou que continuará a acompanhar a vida do PSD: “Saio de bem comigo e com os outros”, disse.

Pedro Passos Coelho chegou cerca das 14:10 ao hotel de Lisboa onde se concentram as mesas de voto do concelho e votou cerca de 15 minutos depois, cumprimentando antes e depois alguns militantes do partido.

Pedro Passos Coelho

Aos jornalistas, disse esperar “que o PSD possa encontrar nos portugueses um motivo de grande mobilização, de responsabilidade e de exigência e que os portugueses possam olhar para o PSD com confiança e com esperança”.

Questionado se vaticina que o próximo líder do partido vai cumprir um mandato tão longo como o seu, quase oito anos, Passos Coelho escusou-se a fazer previsões.

“Não há ninguém que possa dizer com segurança qualquer coisa nesse domínio, espero que o próximo líder do PSD se possa afirmar plenamente, se possa bater por um bom resultado, o que para o PSD é ganhar, e depois possa governar”, afirmou, salientando que, nas últimas legislativas, o PSD foi o partido mais votado mas não governou, devido à união da esquerda que chumbou no parlamento o programa do executivo PSD/CDS.

Passos Coelho disse estar convencido de que o PS, enquanto for possível “mascarar muitos problemas para futuro e fazer concessões de curto prazo”, procurará reeditar a actual solução governativa.

“Ao PSD, no futuro, não bastará ganhar as eleições. Os portugueses, se quiserem um governo liderado pelo PSD, vão ter de votar de forma muito significativa no PSD para que não aconteça o que aconteceu nas ultimas eleições”, alertou.

No entanto, Passos Coelho recusou sair do cargo com alguma frustração, embora admita que gostava de ter continuado no governo para cumprir “o programa de duas legislaturas” que tinha para o país.

“Vou tratar da minha vida"

Sobre o seu futuro, o ainda presidente do partido disse que hoje espera conhecer e felicitar o seu sucessor, oportunamente fazer uma transição de pastas e, depois do Congresso de fevereiro, passá-las definitivamente ao próximo líder.

“Vou tratar da minha vida, que não será de líder do PSD, nem de candidato a líder do PSD”, afirmou, assegurando, no entanto, que continuará a olhar sempre para a política e o partido “de forma muito atenta”.

Sobre a campanha interna, Passos Coelho considerou-a esclarecedora, dizendo que ambos os candidatos “calcorrearam o país” e que houve espaço para debater o partido, mas também propostas para o exterior.

Mais de 70 mil militantes do PSD vão poder escolher hoje o próximo presidente social-democrata e sucessor de Pedro Passos Coelho nas eleições diretas disputadas entre Pedro Santana Lopes e Rui Rio.

De acordo com a secretaria-geral do PSD, os militantes com quotas pagas até ao fecho dos cadernos eleitorais (15 de dezembro) e que podem votar hoje são 70.385, universo eleitoral semelhante ao de outras diretas em que houve disputa.

As eleições internas no PSD decorrem hoje entre as 14:00 e as 20:00, em 396 mesas de voto distribuídas em Portugal continental, Açores, Madeira, Europa e Fora da Europa, estando envolvidas cerca de 2.800 pessoas no processo eleitoral.

Além do próximo presidente do PSD, os militantes sociais-democratas elegerão ainda os delegados ao Congresso, que se realizará entre 16 e 18 de fevereiro, em Lisboa, onde tomará posse o novo presidente do partido e serão eleitos os órgãos nacionais.