O candidato presidencial, António Sampaio da Nóvoa, alertou que a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa “pode perturbar seriamente o novo ciclo político” e salientou que o professor é o seu “único adversário”.

“É o meu único adversário, no sentido em que a polarização entra nestas presidenciais inevitavelmente e far-se-á entre mim e Marcelo Rebelo de Sousa”, frisou.

Questionado sobre o papel da candidatura de Maria de Belém Roseira, o responsável considerou-a “legítima, mas que foi feita de uma forma atrapalhada, a meio de um processo das legislativas, que mostra algum incómodo com o novo ciclo político”.

“Não penso que seja uma candidatura que possa ter uma dinâmica de crescimento, de reforço e de alternativa como a minha candidatura”, disse.

 

Numa entrevista à Antena 1, que vai ser emitida às 10:00, Sampaio da Nóvoa sustentou que o novo ciclo político pode ser “seriamente perturbado” se as escolhas dos portugueses nas eleições presidenciais de 24 de janeiro forem em “determinado candidato”.

“Nenhum de nós tem ilusões. É evidente que estamos a falar do candidato Marcelo Rebelo de Sousa. É um candidato que pode perturbar, e muito, o ciclo político que agora se abriu e que é um ciclo novo… Mesmo que diga que não perturba”.


Sampaio da Nóvoa lembrou que a dimensão e a condição política do candidato Marcelo Rebelo de Sousa “é a de um homem que esteve sempre ao lado” de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas.

“(…) É um homem que sempre esteve ao lado de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, que fez campanha há pouco mais de dois meses atrás e agora faz de conta que não fez e faz de conta que é uma outra coisa que verdadeiramente não é aquilo que ele é”, disse.

Sampaio da Nóvoa considerou também que Marcelo Rebelo de Sousa é um candidato de continuidade, diferente do perfil de Cavaco Silva, mas que representa os mesmos valores e ideologias.

O candidato a Belém salientou ainda que a sua candidatura não é de esquerda, apesar de se dizer de esquerda, acrescentando que foram determinantes as conversas que teve com Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio.

“Percebi que o facto de ser de esquerda não me impedia de juntar todos. Se eu não tivesse capacidade para fazer essa abertura, provavelmente eu não me teria candidatado”, disse.

Questionado sobre as provas de avaliação dos professores, Sampaio da Nóvoa disse que "não estão conformes" com as melhores práticas europeias

“Como em tudo o resto temos de seguir o que são as experienciais internacionais, as melhores práticas internacionais (…). Não é com provas deste tipo e da forma como estavam feitas que se consegue reforçar uma cultura de avaliação dos professores. Este tipo de provas não resolve nada, nenhum problema”, disse, numa síntese da Lusa.