O antigo Presidente da República Ramalho Eanes afirmou neste sábado que a filiação partidária dos candidatos presidenciais “não é uma questão decisiva”, mas tem “algum significado”, considerando que quem não “está ligado aos lóbis” tem melhores condições para o cargo.


“A questão da filiação ou não filiação partidária não é uma questão decisiva, é uma questão que tem algum significado. Naturalmente que um homem que faz um percurso partidário tem compromissos afetivos que não são vinculativos e dos quais se pode libertar”, afirmou António Ramalho Eanes.


Para o antigo chefe de Estado, que falava aos jornalistas à chegada a um almoço de homenagem que decorreu em Lisboa e que contou com a presença do candidato António Sampaio da Nóvoa, “tão importantes são os candidatos independentes como os candidatos partidários”.

Questionado acerca do seu apoio ao antigo reitor da Universidade de Lisboa, Eanes afirmou que “um homem que não tem compromissos afetivos com as elites partidárias, que não está ligado aos lóbis, é um homem que tem melhores condições para realizar aquilo que é indispensável nesta altura no país”.

Assim, o facto de “ser um homem independente” e ter “um pensamento autónomo” pesou na decisão de Eanes.
 

“Eu apoio o senhor professor porque entendo que ele, sendo um homem vulgar em conhecimentos, em inteligência, em saber, é um homem normal, que descobre a vocação depois de um longo percurso, mas quando encontra a vocação trabalha nela com afinco”, afirmou.


Eanes vincou ainda que Nóvoa “sendo invulgar também no caráter, é um homem bom, que gosta dos homens, que sabe ouvir, que sabe encontrar o compromisso e através do compromisso as soluções que convêm ao país”.

Questionado se acredita que o desfecho destas eleições possa ser decidido numa segunda volta, o antigo chefe de Estado afirmou que confia “naquilo que é a sageza dos portugueses”, e que os eleitores serão “capazes de uma reflexão e de encontrarem as melhores soluções”.
 

“Um povo que tem este percurso, que tem esta cultura, mesmo quando não tem a educação que deveria ter e que lhe recusaram, é um povo muito consciente e é um povo que nas alturas decisivas consegue intuir para onde ir, o que deve apoiar, o que quer que façam”, vincou.


Para Ramalho Eanes, o “povo quer, com certeza, que o futuro seja um futuro diferente”, e caso eleja Sampaio da Nóvoa, ele será “um grande líder”.

Na intervenção que fez durante o almoço de homenagem, o general teceu vários elogios ao candidato que apoia, afirmando ser “necessário que a competência chegue à política”.

O antigo chefe de Estado criticou ainda o período atual, considerando que atravessa “uma situação ‘policrísica’”, acrescentando que “não há país onde há fome”, e que a responsabilidade não é “de Governo A ou B”, sim “de todos”.

“Não podemos perder mais tempo, não podemos chegar mais tarde”, referiu ainda, defendendo ser necessário “olhar para o passado” por forma a “tomar medidas que tornem o futuro diferente”.