“São os fiéis guardiões da candidatura de Sampaio da Nóvoa.” Foi desta forma que os dois cães que se encontravam à porta do Observatório do Sobreiro e da Cortiça, em Coruche, foram apresentados ao candidato à presidência da República.
 
Depois da noite ter terminado em Faro, o quinto dia de campanha arrancou no distrito de Santarém com uma visita para conhecer um pouco melhor um dos produtos mais exportados em Portugal: a cortiça.

Entre salas e laboratórios, o processo de produção e exportação do produto foi sendo explicado, a par e passo, a Sampaio da Nóvoa, um aluno interessado, tal como os estudantes do quarto ano, que ali se encontravam para aprender um pouco mais sobre o mesmo tema. Apesar de o tema da visita de estudo dos mais pequenos ser a cortiça, estes não desiludiram quando surpreendidos com um “teste surpresa” nos corredores.

“É um senhor que quer ser Presidente da República”, comentava uma das alunas, rapidamente ajudada por uma colega, que afirmava conhecer o candidato porque “o senhor dá na televisão”. O nome? Essa parte só chegou após a ajuda do público, neste caso a professora, que rapidamente esclareceu a azáfama que tinha invadido o edifício.

Finda a explicação, hora de presentes: dois cadernos para tomar “as muitas notas” da campanha eleitoral - “nestes últimos dias tenho tomado muitas notas” - , um livro e... uma bola de futebol feita de cortiça para “fintar os adversários na corrida a Belém”.

Depois da visita, foi tempo de enfrentar o frio e rumar até ao centro da cidade para uma pequena arruada junto à sede de candidatura de Coruche.

“Coruche vota Sampaio da Nóvoa” e “Nóvoa a presidente” foram alguns dos gritos de ordem ali ouvidos entre as dezenas de pessoas que agitavam bandeiras e batiam palmas à passagem do candidato professor.

Vera Justa, uma jovem de 20 anos, apoiante convicta de Sampaio da Nóvoa, disse à TVI24 não ter dúvidas de que o seu candidato “ganha à primeira volta” por “todas as condições que tem proposto”, principalmente a “igualdade na escola pública”.

“Vamos ver se é desta!”


Se as promessas serão ou não cumpridas, Vera ainda não sabe. A única certeza que tem é que Sampaio da Nóvoa não só lhe agradeceu que ali tivesse estado, com duas amigas que ainda não votam, (mas que está a tentar “converter a gostar de política”), como viu Sampaio da Nóvoa cantar-lhe os parabéns em plena rua.

 
De Coruche, a caravana SNAP seguiu para Abrantes, desta vez não para um jantar, mas sim para um almoço-comício na Quinta d’Oliveiras, onde o aguardavam cerca de 200 pessoas.

“Estamos a torcer por si, professor. Estamos a torcer por si”, ouvia-se, entre aplausos, enquanto o candidato tentava chegar ao púlpito para agradecer a presença de todos e voltar a afirmar que o apoio à candidatura “continua a crescer de dia para dia”.

E foi neste mesmo almoço que Jorge Lacão, vice-presidente do Parlamento, mostrou o seu apoio a Sampaio da Nóvoa e apontou críticas a Marcelo Rebelo de Sousa, dizendo que este candidato não lhe “inspira confiança bastante” e que será o antigo reitor da Universidade de Lisboa a vencer a corrida a Belém. 

O almoço foi curto, pois a Marinha Grande esperava o candidato para uma visita à TJ Moldes, fábrica de moldes. Mas, antes de ser dada a partida, tempo houve ainda para ouvir as modinhas que um apoiante escreveu em exclusivo para Sampaio da Nóvoa.

   

“Os candidatos precisam de molde?”


Marinha Grande. 16:30. Sampaio da Nóvoa entrava na fábrica da Marinha Grande para conhecer a indústria dos moldes, não só para o ramo automóvel, como também para clientes do ramo dos consumíveis, como a Nespresso.

Estava dado o mote para questionar o candidato se se deveriam aplicar moldes também na política, mais especificamente aos candidatos e às suas campanhas.

Sem perder o sorriso nem a boa disposição, Nóvoa afirmou que os candidatos “não precisam de moldes”, muito menos as campanhas e explicou a razão: “Cada um faz a campanha eleitoral que acha útil, adequada e acho que a maneira como cada um faz uma campanha eleitoral diz muito da maneira como se quer ser Presidente da República.”


“Quando se faz uma campanha a ouvir as pessoas, uma campanha a expor ideias, uma campanha a conversar com pessoas é assim que se quer ser Presidente da República. Quando não se expõe ideias, quando a pessoa não ouve as pessoas, provavelmente não podemos esperar que uma vez eleito Presidente da República se aja de maneira diferente."


Já sobre o ataque feito por Cândido Ferreira, de que quer explicações sobre a formação académica do antigo reitor da Universidade de Lisboa, Sampaio da Nóvoa disse não responder a acusações “absurdas”.
 

"Já me disseram que todos os dias tem havido acusações diferentes. Não vou responder a nenhuma, são tão absurdas que não fazem nenhum sentido.”


O quinto dia de campanha de Sampaio da Nóvoa terminou com uma iniciativa extra campanha, um jantar conferência comemorativo do Instituto Superior D. Dinis (ISDOM), onde Sampaio da Nóvoa discursou e pediu estabilidade para as empresas a todo o custo. 

Segundo o antigo reitor, as empresas "precisam de um quadro de estabilidade que lhes permita uma continuidade de investimento e um contexto de confiança". 

"É preciso tudo fazer para assegurar essa estabilidade, seja no plano governativo, seja no plano fiscal, seja no plano laboral. Estas empresas precisam de liberdade e não de crescentes interferências burocráticas agora aumentadas pela forma como são adaptadas entre nós muitas normas e diretivas europeias." 


Num discurso também sobre a educação, o candidato professor criticou o "discurso medíocre", vindo desde o século XIX, de que em Portugal há doutores a mais, dizendo que essas declarações são meras falácias. 
 

"Temos diplomados a mais? Não, não temos. Temos diplomados a menos para aquilo que a nossa sociedade precisa, para aquilo que a nossa economia precisa, para aquele Portugal, capaz e preparado do século XXI, a que todos aspiramos."


Esta sexta-feira, a caravana SNAP já estará no norte e o jantar comício contará com a presença de Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros.