Nem o nevoeiro cerrado que se abateu sobre a Covilhã no terceiro dia de campanha de Sampaio da Nóvoa o desanimou. Muito pelo contrário. “Estou com mais energia do que estava há três dias”, garantiu o professor já no final da noite do mesmo dia, em Évora, depois de mais de 300 quilómetros de estrada em apenas um dia.

O dia arrancou a 800 metros de altitude, mas rapidamente foi descendo no mapa. Depois da Covilhã, onde visitou uma fábrica de produção de tecidos de lã, Nóvoa seguiu para Castelo Branco onde se encontrou com um dos seus “selos de qualidade”, Ramalho Eanes, o responsável pela inauguração da primeira fábrica “Centauro Internacional”, em 1982. 

Por entre tubagens e soldadores, Sampaio da Nóvoa foi metendo conversa com vários dos trabalhadores da empresa de trocadores de calor, muitos deles com mais de 20 anos de casa, como é o caso do senhor Lourinho. “Trabalho aqui há 36 anos”. “Isso é uma vida”, responde o antigo reitor.

Outro aperto de mão, mais uma recordação partilhada entre Eanes e Sampaio, e uma das trabalhadoras espera pelo professor para o cumprimentar. Não há rua propriamente dita, mas os apoiantes surgem por entre as máquinas que muito intrigam o candidato apenas para o saudar e dizer-lhe “é em si que acredito”. 
 

Um jogo de matrecos e um café para despertar a tarde


Campo Maior, terra do comendador Rui Nabeiro e do café. Mas o que ficou marcado na tarde de terça-feira foi mesmo a derrota que Sampaio da Nóvoa impôs aos jornalistas num jogo de "matrecos" antes de seguir para a visita à Delta. 

Entre grãos de café mais ou menos torrados, o candidato na corrida a Belém foi falando com os funcionários, que ao longo dos anos têm recebido vários presidentes em visita à fábrica e que não se coibiram de mostrar  e chegou mesmo a dobrar sacos para embalar café em Angola. 

Ao lado do mandatário distrital da sua candidatura, Sampaio da Nóvoa afirmou que Portugal precisa de mais empresas como a Delta, sublinhando o papel da empresa na “criação de riqueza e de emprego com dignidade e qualidade”.
 

Um presidente “sério” e que não se “finge” independente


À chegada a Évora, Sampaio da Nóvoa tinha à sua espera Capoulas dos Santos, atual ministro da Agricultura, que ali se deslocou como cidadão “ativo e empenhado” e não como presidente da federação de distrito do PS nem como deputado e “muito menos como ministro”.

E foi Capoulas dos Santos a dar o mote para o início do ataque a Marcelo Rebelo de Sousa, ao afirmar que “ainda não será desta que a direita fará o seu churrasco de novilho” - numa alusão a um arraial preparado em 1986 por apoiantes que antecipavam a vitória de Freitas do Amaral, e tiveram de desmontar a festa quando as expectativas lhes saíram goradas.

Depois de dois dias sem atacar o seu opositor pelo nome, Sampaio da Nóvoa subiu ao palco para lembrar que quem garante a assinatura de um orçamento sem o conhecer “apenas para apressar a sua eleição, já está a servir mal os portugueses, antes mesmo sequer de chegar a ocupar o cargo”.

No palco do Teatro Garcia de Resende, o candidato presidencial defendeu que um presidente a sério "não promete aprovar orçamentos que ainda não conhece" e garantiu que nunca ninguém o ouvirá garantir a sua "assinatura num documento" que não conhece.

"Não preciso de fingir que sou independente, sou mesmo independente e imparcial. E sempre agirei desse modo. Sempre."