O eurodeputado António Marinho e Pinto cumpriu e fez o prometido «striptease» salarial. No site do Partido Democrático Republicano (PDR), que recentemente fundou, o antigo bastonário da Ordem dos Advogados publicou os recibos referentes a salários, subsídios e reembolsos de despesas, desde que tomou posse como eurodeputado.

«Os recibos e as declarações pessoais que aqui serão publicados referem-se ao meu vencimento base (8.020,53 €), aos subsídios diários, denominados per diem (de 304,00 € por dia), ao pagamento de todas as viagens, incluindo de avião, de táxi ou outras, bem como aos quilómetros efetuados em carro próprio entre a residência e o meu aeroporto de referência em Portugal, que é o Porto, e outras deslocações referentes a trabalho político que faça em Portugal», escreve Marinho e Pinto no site do partido.

Assim, só em salários e em termos líquidos, a fazer fé nos recibos apresentados, Marinho e Pinto recebeu 18 747 euros, entre julho e setembro. Em subsídios diários, o eurodeputado recebeu mais de 10 mil euros e em reembolsos de despesas, mais de 7300 euros.

«Além disso, recebo todos os meses, por transferência direta para uma das minhas contas bancárias, a quantia denominada Subsídio para Despesas Gerais (SDG) no montante de 4.299,00 € para despesas, pelas quais, estranhamente, o Parlamento Europeu não emite qualquer recibo ou documento que titule esse pagamento. Essa omissão será suprida através de uma declaração pessoal que eu próprio emitirei», promete Marinho e Pinto, no site do PDR.

«De referir que sobre esta última quantia não há necessidade de apresentar quaisquer justificativos para as despesas efectuadas. Ou seja, se fizer as despesas, muito bem, ficam pagas, mas se as não fizer, muito bem também, pois fico com o dinheiro para mim», acrescentou.

Há uma semana, Marinho e Pinto tinha prometido divulgar os recibos de todos os valores auferidos enquanto eurodeputado, sublinhando que fará, «com muito gosto, um «striptease» que outros se recusam a fazer».

«Sei que a publicação destes recibos irá incomodar algumas pessoas que viviam muito bem com o silêncio sobre estes factos e irá trazer-me, a mim próprio, bastantes incómodos também, sobretudo com os guardiães do nosso sistema político-partidário-mediático. Mas há muito que aprendi que a prática é o único critério para aferir a validade dos princípios que proclamamos», escreve o eurodeputado e fundador do PDR.